O governo federal pretende lançar em outubro um programa fiscal com alcance pelo menos até 2001, para aumentar seu superávit operacional e evitar que o déficit público consolidado ultrapasse os atuais 7% do Produto Interno Bruto (PIB), algo em torno de US$ 60 bilhões. A medida, que depende da reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso, foi anunciada ontem pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan, durante palestra, em almoço promovido pela Associação dos Dirigentes de Marketing do Uruguai, em Montevidéu.
O ministro garantiu mais uma vez que não haverá ‘‘um pacote de surpresa depois de um longo fim-de-semana’’, mas não adiantou quais seriam as bases do novo programa. Disse, entretanto, que incluirá a sequência das privatizações, a implementação efetiva dos acordos de renegociação das dívidas dos estados com a redução da presença dos bancos estaduais comerciais no sistema financeiro, a reforma da Previdência e o aumento da eficiência dos gastos públicos via combate ao desperdício, à fraude e à corrupção.
Malan afirmou que não considera necessário o estabelecimento de metas de curto prazo para controle dos gastos públicos como forma de aumentar a confiança dos mercados sobre as contas brasileiras. ‘‘O que estabelece confiança é a percepção do sentido de direção’’ na condução da política econômica, analisou, reiterando que o governo não prevê ‘‘nenhuma medida de fundo’’ até outubro.
O déficit público deve fechar o ano em 6,5% do PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas no País), segundo previsão do diretor de Assuntos
Internacionais do Banco Central, Demósthenes Madureira de Pinho Neto. Nos resultado acumulado nos últimos 12 meses terminados em maio, o déficit nominal (que inclui o pagamento de juros) ficou em 7% do PIB, segundo cálculos feitos por analistas, já que o BC mudou as regras de divulgação do desempenho das contas públicas. A redução do déficit será possível devido à reforma administrativa e à queda das taxas de juros básicas, segundo Pinho Neto.
EvasãoO presidente do Banco Central, Gustavo Franco, afirmou ontem que US$ 1 bilhão deixou o País na última terça-feira, mas minimizou a importância da saída de recursos externos. ‘‘Nosso nível de reservas é capaz de aguentar saídas de U$ 1 bilhão, US$ 2 bilhões, US$ 5 bilhões, US$ 10 bilhões. Isso não nos traz preocupação’’, afirmou. afirmou. As reservas fecharam o mês de junho em pouco mais de US$ 70 bilhões.

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