Governo japonês aprova pacote de US$ 123 bilhões
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sexta-feira, 24 de abril de 1998
Agência Estado 
France PresseAnúncio formalKanezo Muraoka, chefe de gabinete, Hashimoto, Koji Omo, do planejamento, e o ministro MatsunagaO governo japonês aprovou formalmente o novo pacote de medidas econômicas formulado pelo governista Partido Liberal Democrata (PLD). O tamanho do pacote é de 16 trilhões de ienes (US$ 123 bilhões), dos quais 12 trilhões de ienes (US$ 92 bilhões) são de estímulos fiscais reais. Outros 2 trilhões de ienes (US$15 bilhões) estão reservados para cortes no imposto de renda, ainda em 1998, sendo que haverá outro corte igual em 1999.
Mais 2,3 trilhões de ienes (US$ 17 bilhões) serão usados para injetar liquidez no mercado imobiliário e para amortizar problemas de dívidas no sistema bancário. O pacote prevê também 7,7 trilhões de ienes (US$ 59 bilhões) em gastos com obras públicas, a serem divididos entre projetos ambientais, infra-estrutura de comunicações, projetos de bem-estar social, projetos de prevenção a desastres naturais e vários outros.
O governo também vai considerar cortes efetivos no imposto de renda para níveis internacionais em até três anos, além de incentivos para participação privada em projetos de infra-estrutura. No pacote, o governo japonês compromete-se a continuar cooperando com o FMI para ajudar na recuperação das economias dos países vizinhos. Para permitir os gastos do pacote, a lei de austeridade fiscal será revisada, jogando as metas de corte de déficit para 2 anos mais tarde, em 2006, e introduzindo uma cláusula de flexibilidade que permite aos limites anuais sobre déficit com emissão de bônus sejam suspensos, em momentos econômicos difíceis. Com as medidas, o crescimento japonês para este ano sobe dois pontos percentuais, disse o Ministério das Finanças.
O pacote deve acrescentar 1,5 ponto percentual ao PIB (Produto Interno Bruto) no país até o ano fiscal que termina em 31 de março de 1999. A previsão de economistas ouvidos pela agência Dow Jones em Tóquio está abaixo da projeção oficial, feita pela Agência de Planejamento Econômico (EPA), de ganho de dois pontos percentuais no crescimento econômico.
De acordo com The Wall Street Journal, o pacote vai pôr um fim à atual desaceleração, mas não garante a recuperação de longo prazo já que o governo se mostra relutante em tornar permanentes os novos cortes de impostos. O vice-ministro das Finanças, Eisuke Sakakibara, disse que suas projeções são mais otimistas do que a oficial, da EPA. Ele acredita que o pacote pode somar entre 2 e 3 pontos percentuais ao crescimento do PIB em 12 meses e que o Japão poderá atingir a meta de crescimento de 1,9% no atual ano fiscal.
Para os economistas do setor privado, o pacote deve afastar o desastre econômico e colocar um piso para as oscilações da Bolsa de Tóquio, mas não representa uma cura para o sistema financeiro e os problemas estruturais da economia japonesa. O pacote deve favorecer uma recuperação de curta duração, que não vai se sustentar por causa da deterioração do mercado de trabalho que reduz o consumo, disse Susumu Kato, economista do Barclays Capital em Tóquio. A economia deve crescer apenas 0,7% no atual ano fiscal e 1,2% no ano que começa em 1º de abril de 1999.
Segundo os economistas, a maior decepção com o pacote foi a falta de uma referência sobre a possibilidade de o corte de impostos ser permanente. O governo apenas prometeu revisar o sistema de impostos sob vários ângulos. Sem o corte permanente, os consumidores não devem aumentar seus gastos.


