Governo já gastou R$ 37 bi no ano para 'rolar' dívida
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quarta-feira, 19 de julho de 2000
Agência Estado De Brasília 
Os gastos com juros para a rolagem da dívida mobiliária do governo federal atingiram R$ 37,3 bilhões de dezembro de 1999 a junho deste ano. Esse volume corresponde ao valor previsto no Orçamento da União de 2000 destinado a custeio e investimento do Executivo Federal, excluindo gastos com pessoal e benefícios da Previdência.
As despesas com juros contribuíram para que o estoque da dívida pulasse de R$ 440 bilhões, em dezembro, para R$ 491 bilhões em junho, o maior montante em termos nominais, segundo dados divulgados ontem pelo Tesouro Nacional e Banco Central.
Neste semestre, as emissões diretas de títulos, principalmente, por causa da renegociação da dívida dos Estados com a União, somaram R$ 16,6 bilhões. No entanto, nos primeiros seis meses do ano, o governo fez resgate líquido de papéis no valor de R$ 2,9 bilhões, fator que colaborou para que o saldo da dívida não aumentasse ainda mais.
Em junho, os gastos com juros chegaram a R$ 3,1 bilhões ante R$ 9 bilhões em maio. Para o coordenador-geral de Administração da Dívida Pública, Paulo Valle, neste mês o aumento do estoque da dívida que passou de R$ 487,1 bilhões para R$ 491,8 bilhões tem como motivo principal o crescimento vegetativo, ou seja, a correção e juros que incidem sobre o estoque total.
Segundo ele, na média os encargos refletem a variação da taxa Selic. A redução da Selic tem impacto direto em pelo menos 54,68% dos títulos pós-fixados corrigidos por essa taxa que estão em posse do mercado. Do total da dívida na análise do mês de junho, a participação dos títulos prefixados Letras do Tesouro Nacional (LTN) é de 13,31%, 21 08% são de papéis corrigidos pela variação cambial, 5,43% têm correção pelos índices de preços e 5,38% pela TR.
Com a redução da taxa Selic no final de junho, quando a taxa passou de 18,5% para 17,5% (e agora para 16,5%), o governo espera economizar aproximadamente R$ 2,6 bilhões ao longo de 12 meses. Essa economia poderá ser captada no resultado de julho, que será divulgado pelo Tesouro no mês que vem.
O volume de títulos prefixados aumentou na comparação de maio com junho. Essa elevação deve-se ao fato de o Tesouro voltar a oferecer LTN no mercado, estratégia que tem como objetivo a mudança do perfil da dívida com a redução de títulos pós-fixados. Em maio, por causa da volatilidade do mercado, o governo suspendeu a oferta de papéis prefixados voltando apenas em junho a colocar o título nos leilões.


