O secretário de Financiamento da Argentina, Daniel Marx, responsável pelas negociações da dívida interna e externa do país, disse ontem que as medidas inclusas no pacote de ajuste anunciado ontem ‘‘são fortes o suficiente’’ para compensar a esperada queda nas receitas com impostos, mas se tais receitas não se comportarem conforme espera o governo, medidas adicionais serão tomadas para garantir o cumprimento das metas com o FMI.
Marx, que participou com o secretário do Tesouro da Argentina, Mário Vicens, de conferência telefônica a investidores e economistas estrangeiros, não especificou a estimativa de receita com impostos do governo para esse ano. Ele e Vicens apenas deixaram claro que os recolhimentos ficarão bem abaixo das estimativas iniciais das autoridades argentinas. Vicens acrescentou que, embora a previsão oficial do PIB para este ano seja de 4%, a projeção de receita com impostos prevê expansão de 3,4% em 2000.
Os representantes do governo argentino disseram ainda que o pacote de medidas deverá gerar impacto positivo líquido de US$ 538 milhões nas contas fiscais do governo. O ministro da Economia, José Luis Machinea, também participou da conferência.
O secretário Mario Vicens disse que o país deverá atingir as metas econômicas e fiscais desse ano, a partir do pacote de reformas e cortes anunciado anteontem. ‘‘Não prevemos problemas para o cumprimento das metas’’, disse Vicens em conferência telefônica a investidores estrangeiros e economistas. ‘‘Não pretendemos rever as previsões de crescimento do PIB para este ano. Ainda acreditamos que podemos chegar aos 4%’’, afirmou.
Vicens acrescentou que o governo prevê crescimento para o PIB no primeiro trimestre ‘‘pouco abaixo de 2%’’ em relação ao mesmo período do ano anterior. Segundo ele, a Argentina deverá cumprir suas metas, apesar do déficit fiscal maior do que o esperado registrado em abril e similarmente projetado para maio. Para junho, no entanto, ‘‘projetamos um importante superávit’’, disse Vicens. ‘‘Com as medidas, acreditamos estar aptos a compensar as dificuldades atuais de manutenção do recolhimento de impostos em linha às nossas expectativas’’.

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