A perspectiva de uma recessão aparece no cenário do governo como possível efeito colateral das medidas anunciadas nos últimos dias para conter a fuga de dólares e garantir a estabilidade do real. ‘‘A redução do crescimento no curto prazo pode ser a condição necessária para permitir o crescimento sustentado a médio prazo’’, avaliou ontem à noite o ministro do Planejamento, Paulo Paiva.
‘‘Ninguém conduz uma política econômica para provocar a recessão, ninguém aumenta deliberadamente o desemprego, mas as medidas podem ter esse efeito: é muito cedo para dizer que sim ou que não (haverá recessão)’’.
Até agora, as medidas anunciadas pelo governo diante do agravamento da crise financeira - aumento dos juros e cortes nos gastos - contribuem para reduzir o ritmo de crescimento.
Antes do agravamento da crise, a previsão de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) neste ano estava próxima de 1% e a taxa de desemprego passava de 8% dos trabalhadores nas seis principais regiões metropolitanas do País. A taxa de crescimento da economia vai depender agora do resultado das medidas anunciadas pelo governo e, principalmente, do comportamento dos juros daqui para a frente.
Não há previsões oficiais sobre o custo da alta de juros sobre os gastos públicos nem um roteiro definido para a queda das taxas. ‘‘Depende da reação do mercado’’, resumiu o ministro do Planejamento. Quanto mais altos os juros, menos dinheiro há para os investimentos que fazem a economia crescer com geração de empregos. Com taxas altas, é mais vantajoso aplicar o dinheiro em renda fixa que correr o risco de investir na produção.
A redução de despesas públicas também tende a desaquecer a economia num primeiro momento, uma vez que o governo estará consumindo menos. Até o início da noite de hoje, a avaliação da equipe econômica era ainda de incerteza em relação ao comportamento do chamado ‘‘mercado’’. A ligeira queda na Bolsa de Valores de São Paulo (-0,33%) não chegou a ser considerada ‘‘frustrante’’, embora o governo esperasse uma alta nos negócios de ontem .

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