A secretária de Comércio Exterior, Lytha Spíndola, admitiu ontem que dificilmente será cumprida a meta de elevação de 20% nas exportações deste ano. A frustração desse objetivo será provocada, segundo ela, pelo crescimento da atividade econômica no País, pela queda na demanda dos Estados Unidos e do Japão e pela tendência de os preços das principais commodities, como o café e a soja, continuarem em baixa no mercado internacional.
O cenário traçado reduz as chances de o governo registrar um ‘‘moderado déficit’’ na balança comercial de 2001, como registrou no Memorando de Entendimento com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Lytha não quis apresentar suas estimativas. Mas reconheceu que o superávit de US$ 134 milhões acumulado nas três primeiras semanas de abril somente foi obtido graças à desvalorização do real no período – que contribuiu para a redução dos preços em dólares dos bens exportados – e ao aumento da quantidade embarcada de produtos primários.
‘‘Não vamos ter uma taxa elevada de crescimento das exportações, de 20%, como prevíamos’’, declarou Lytha, ao apresentar os dados detalhados da balança comercial do primeiro trimestre do ano. ‘‘O ideal seria atingirmos essa taxa, que é uma meta orientadora. Mas o aumento da demanda interna vai dificultar.’’
Os números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam o grau de dificuldade de cumprimento dessa meta. De janeiro a março, a balança registrou déficit de US$ 678 milhões – ou de US$ 542 milhões, até a última sexta-feira. Nos doze meses terminados em março, o saldo negativo é de US$ 453 milhões.
As exportações somaram US$ 13,788 bilhões no primeiro trimestre – aumento de 14,4%, em relação com a igual período de 2000. Mas foram favorecidas por situações atípicas, como os embarques de US$ 700 milhões do complexo soja e a devolução de dois aviões (mais US$ 210 milhões). Mesmo favorecida pela desvalorização do real, abril ainda apresenta média diária de embarques apenas 3,5% superior à do mesmo mês do ano passado.
Na outra ponta, Lytha considera que as importações de insumos industriais e de bens de capital tenderão a aumentar, independente da variação cambial. De janeiro a março, as compras externas somaram US$ 14,466 bilhões – 19,9% mais que em igual período de 2000. Nas três semanas deste mês, a média diária de importações cresceu 3,8%, em relação a abril do ano passado.

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