Os indicadores de desempenho da economia, analisados ontem em reunião do presidente Fernando Henrique Cardoso com ministros e assessores da área econômica e do Palácio do Planalto, não deixaram dúvidas de que o crescimento é sustentado e está em sua melhor fase desde a desvalorização do real, em janeiro de 1999. A inflação do ano, no entanto, deverá situar-se um pouco acima dos 6% esperados. Algo em torno de 0,3 ponto a 0,5 ponto porcentual, segundo o secretário de Política Econômica, Edward Amadeo.
‘‘Estávamos trabalhando com um pouco menos de 6%, mas talvez fique um pouco acima, em torno do meio da banda’’, disse o secretário. O presidente, ao final do encontro ocorrido no Palácio da Alvorada, parabenizou a equipe econômica pelos resultados obtidos e atribuiu a retomada do crescimento ao esforço fiscal penoso e persistente. Pela ênfase da avaliação de ontem, o foco da discussão passou o de ser possível ou não crescer, e o que é preciso fazer para manter o crescimento sustentado, observou Amadeo. ‘‘Precisamos avançar agora na agenda microeconômica, de obter aumento da poupança, alavancando recursos a um custo menor’’, resumiu.
A reunião contou com a presença dos membros da câmara de política econômica, que se reúne às quartas-feiras. O secretário-geral da Presidência, ministro Aloysio Nunes, disse que o presidente resolveu participar para inteirar-se da conjuntura econômica.
O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, fez uma exposição sobre o comportamento das taxas de juros internas e do grau de confiança manifestado pelos investidores, tanto estrangeiros quanto domésticos, na economia brasileira. As taxas de juros futuras internas de longo prazo mantendo-se ‘‘numa curva horizontal’’ é o indicador de que o mercado está confiante nos fundamentos da economia e de que o Banco Central não aumentará as taxas. Além disso, o crescente prazo de vencimento dos papéis do Tesouro – passou de 7 meses e 6 dias, em média, em janeiro de 99, para 29 meses em junho último – indica que o risco interno caiu.
A taxa de desemprego, que poderá chegar em dezembro a níveis inferiores aos 7,5% registrados no final de 1999, foi outro indicador positivo lembrado na reunião de ontem. Amadeo comentou que, apesar de o crescimento econômico mostrar vigor, o crescimento da renda não apresentou reação proporcional. Fenômeno, segundo ele, oposto ao verificado em 94/95, quando o aumento da renda puxou o crescimento.
A alta frequente das cotações do petróleo podem comprometer o esperado saldo comercial de US$ 2,8 bilhões para este ano, admitiu Amadeo, sem especular com números. ‘‘Não falamos em números, mas se os preços das commodities e do petróleo estivessem nos níveis de 98, o saldo comercial dos últimos 12 meses estaria em US$ 8 bilhões’’.

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