Governo já admite déficit na balança
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 25 de outubro de 2000
Agência Estado De Brasília 
A secretária de Comércio Exterior, Lytha Spíndola, admitiu ontem que o saldo da balança comercial poderá ficar negativo este ano. Segundo ela, o governo acredita que a soma das importações e das exportações ficará próximo de zero, como já havia declarado o ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápias, no início da semana. Isso significa que, tecnicamente, de acordo com a secretária, poderá haver um déficit ou um superávit de no máximo US$ 200 milhões.
O aumento de 97% na cotação do barril do petróleo, com relação aos preços praticados no ano passado, foi o principal responsável pela queda do saldo da balança nas últimas semanas. Como não há perspectivas de queda no preço do óleo ou de recuperação dos preços das commodities exportadas pelo Brasil no curto prazo, o governo conta com resultados semelhantes aos das últimas semanas até o fim do ano. O superávit acumulado já caiu para US$ 280 milhões, depois de ter ficado em US$ 1,036 bilhão no fim de agosto.
A previsão do governo era fechar o ano com déficit de US$ 6,5 bilhões na balança referente apenas ao petróleo, bem acima do resultado do ano passado, de US$ 5,5 bilhões, mas a secretária disse que o desempenho do segmento deverá alcançar um déficit de US$ 8,5 bilhões.
O governo vinha comemorando o desempenho das exportações, que cresceram 18,2% até setembro, mas, nas últimas semanas, além da alta do petróleo, houve um crescimento nas importações de bens de consumo não duráveis, como produtos alimentícios, farmacêuticos e vestuário, atribuído pela Secretaria de Comércio Exterior aos estoques feitos para atender às demandas das festas de fim de ano.
Em setembro, as exportações mantiveram o dinamismo, com aumento de 12,8% em relação ao mesmo mês de 1999, segundo dados do boletim da Fundação Comércio Exterior (Funcex) divulgado ontem. Durante os nove primeiros meses, o crescimento acumulado chega a 18,2% e no acumulado de 12 meses alcança US$ 54,4 bilhões, com expansão de 16,5%, a maior desde 1993.
A melhora do saldo comercial só não ocorre em razão do aumento das importações, de 18,9% em relação ao mesmo mês do ano passado. As importações cresceram, segundo a Funcex, em todas as categorias, com exceção dos bens não-duráveis.


