Governo já admite baixar novo pacote fiscal
Governo já admite baixar novo pacote fiscal
Previsão de aumento do déficit público leva o governo a preparar medidas, diz Pedro Parente
Agência Estado
Arquivo FolhaParente, ministro interino: Trabalhamos em ritmo aceleradoA piora nas contas do setor público este ano poderá levar o governo a adotar novas medidas de ajuste fiscal, admitiu ontem o ministro-interino da Fazenda, Pedro Parente. Ele recebeu uma missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) que veio verificar o andamento das contas do governo, como faz a cada semestre. Segundo Parente, os técnicos deverão rever, para pior, sua previsão de déficit do setor público brasileiro este ano.
O FMI havia estimado um déficit nominal equivalente a 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 1998. Certamente esse número será revisto, porque eles sempre revêem as previsões, disse o ministro-interino. Será uma revisão negativa.
Ele explicou que há duas razões para a piora: o déficit da Previdência Social, que deverá dobrar neste ano, e as privatizações nos estados. A área fiscal será a que mais receberá atenção da atual missão do FMI. Da última vez em que esteve, a maior dificuldade da política econômica eram as contas externas.
Parente disse que a atual situação das contas públicas não satisfaz o governo. Como está, não pode ficar, disse. Ele lembrou que um quadro fiscal mais estável é pré-condição para que o governo possa reduzir mais as taxas de juros, e admitiu que o governo poderá adotar medidas adicionais para ajustar as contas públicas.
Ele lembrou que o governo não hesitou em baixar um pacote fiscal em novembro, como resposta à crise financeira internacional, para preservar o Real. Faremos mais uma vez, se for necessário, afirmou.
Para decidir se novas medidas serão necessárias, porém, o governo está avaliando a real situação das contas - até porque já existe um pacote fiscal em andamento. O que se verificou no ano passado é que os indicadores utilizados pelo governo para estimar seu resultado não funcionaram.
Estamos trabalhando em ritmo acelerado em busca de maior confiabilidade nos nossos termômetros, pois o sistema de avaliação fiscal apresentou problemas, disse ele. As medidas serão propostas no devido tempo, quando e se forem necessárias.
A reforma previdenciária, segundo Parente, só poderá gerar efeitos a partir de julho. Faremos, portanto, metade da economia inicialmente prevista para este ano, concluiu. No ano passado, a Previdência teve um déficit de R$ 3,7 bilhões. Para este ano, o rombo previsto poderá chegar a R$ 10 bilhões, se for considerar os gastos com os programas assistenciais e as despesas administrativas que são estão sendo cobertas pelo Tesouro.
Já as privatizações serão um problema para a área fiscal na proporção direta de seu sucesso, na opinião do ministro-interino. Os estados acabam contribuindo para o aumento do déficit público à medida que têm disponibilidade de caixa para pagar empreiteiras, fornecedores e outras dívidas não registradas. Esse tipo de pagamento acaba contabilizado como um gasto corrente do estado, ou seja, como uma despesa comum. Dessa forma, quanto mais sucesso o governador tem em seu programa de privatizações, mais dívidas não registradas ele paga, elevando as despesas e o déficit.
Segundo Parente, o comportamento dos estados com suas receitas de privatização é um item em aberto, que vai depender basicamente do comportamento de São Paulo. Ele lembrou que grande parte dos recursos obtidos com a venda de empresas públicas paulistas está comprometida com o pagamento dos 20% da dívida mobiliária do estado, no âmbito do programa de refinanciamento feito pelo governo federal. Mas o estado poderá utilizar parte para pagar outras dívidas, possivelmente não registrada, com empreiteiras e fornecedores e, nesse caso, há impacto no déficit público.
As contas públicas de 98 sofrerão ainda o impacto da elevação das taxas de juros ocorrida após a crise na Ásia. Como o governo federal trabalha com títulos prefixados, em sua maioria, o efeito da puxada nos juros só chegou ao estoque da dívida de 60 a 90 dias depois da elevação, pois só era incorporado no momento em que os títulos eram rolados.





