Governo investirá em defesa agropecuária
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quarta-feira, 25 de agosto de 2004
Agência Estado 
Rio de Janeiro - Os investimentos do governo em defesa agropecuária para 2005 vão ser de pelo menos R$ 150 milhões, 70% acima do valor desembolsado em 2003, informou ontem o Ministério da Agricultura. No governo e na iniciativa privada, a avaliação é de que ''os olhos do mundo estão em cima do Brasil'' e é preciso estar preparado para manter a qualidade na produção e evitar as barreiras impostas às exportações.
O secretário de Defesa Agropecuária, Maçao Tadano, disse que este ano o orçamento, inicialmente definido em R$ 68 mihões, já foi ampliado para R$ 112 milhões. No ano passado, o valor foi inferior, de R$ 89 milhões. Segundo ele, a liderança do Brasil na exportação de carnes em geral exige maior atenção quanto aos produtos brasileiros.
Na iniciativa privada, a avaliação é de que a questão da defesa sanitária tem de ser encarada tanto pelo poder público quanto pelas próprias empresas. A Associação Brasileira de Exportadores de Frango (Abef) tem enfatizado a necessidade de investimentos do governo e do setor privado para o problema da sanidade animal. O assunto deverá ser abordado hoje, durante o 6º Congresso de Agribusiness da Sociedade Nacional de Agricultura, no Rio, que ocorre em paralelo à Conferência Sul-Americana de Medicina Veterinária.
Os recursos do ministério envolvem gastos laboratoriais e apoio aos estados e às regiões Norte e Nordeste. Ontem, o ministério divulgou que quatro municípios do Mato Grosso do Sul estavam fazendo vacinação de reforço contra a febre aftosa. O rebanho local é de 250 mil bovinos. Segundo a assessoria do ministério, a vacinação foi deflagrada depois de um caso de infecção respiratória em gado do território paraguaio.
O diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Antonio Jorge Camardelli, disse que os frigoríficos brasileiros estão usando a tecnologia disponível para reduzir os riscos na produção, garantir produtos de qualidade e não dar condições para que sejam criadas no exterior barreiras às exportações brasileiras. Não há estimativa geral do valor gasto pelas empresas com sanidade e segurança da produção, mas representantes das indústrias indicam que estes investimentos vêm aumentando.
''É uma preocupação crescente'', confirma o diretor-comercial do Independência Alimentos Ltda., André Skrimunt. A empresa é o terceiro maior exportador de carne bovina em cortes do País. As vendas externas respondem por cerca de 80% do seu faturamento, que este ano deverá ficar entre US$ 280 milhões e US$ 300 milhões.


