Porto Alegre - Depois da polêmica envolvendo a soja transgênica, o Ministério da Agricultura e o Ministério Público Federal abriram, na semana passada, uma operação sigilosa para investigar a presença de milho transgênico nos campos gaúchos.
O plantio de milho transgênico é proibido, e a pena para quem praticá-lo é de um a dois anos de prisão mais multa. Não há variedade de milho transgênico aprovado no Brasil. Atualmente, cinco esperam liberação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança. Duas das modalidades sob análise são resistentes a herbicidas, e três são resistentes a insetos.
É provável que o milho transgênico existente no Rio Grande do Sul seja resultante de contrabando da Argentina. A entrada, portanto, ocorre de forma semelhante à da soja transgênica no final da década passada. Mas o poder de contaminação do milho em outras lavouras da mesma cultura (mas não transgênicas) é maior.
No milho, o pólen (masculino) de uma planta pode fecundar o óvulo (feminino) que se encontra na espiga de outra planta. O pólen não se dissemina por uma distância superior a 300 metros, o que é uma atenuante.
As primeiras denúncias sobre a presença de milho transgênico no Estado, confirmadas a partir de exame clínico de sementes, partiram do deputado estadual Frei Sérgio Görgen (PT), ligado ao Momento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Como houve a comprovação, o Ministério Público e o Ministério da Agricultura se interessaram pelo assunto. O governo federal colocou, em um primeiro momento, três fiscais para a apuração.
''Pode ser uma medida drástica e antipática, mas, se acharmos lavouras de milho transgênico, vamos destruí-las'', adiantou o delegado regional do Ministério da Agricultura, Francisco Signor, que na última sexta-feira pediu o apoio da Polícia Federal.
Entidades que defenderam a entrada da soja transgênica no estado, como a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) e a Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag), não defendem o milho transgênico.
''Temos uma legislação e pretendemos cumpri-la'', diz o presidente da Farsul, Carlos Sperotto.

mockup