Governo investe mais R$ 3 mi no café
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quinta-feira, 25 de junho de 1998
Da Redação 
O governo do Paraná começa na próxima semana a segunda etapa do programa de apoio à cafeicultura, com a liberação de R$ 3 milhões até o fim do ano. Os recursos, repassados a prefeituras, associações e pequenos produtores, serão destinados à melhoraria da qualidade do produto e para disseminar ainda mais a prática do plantio de café adensado em todo o Estado.
O agricultor já se convenceu dos benefícios do café adensado, mas agora queremos que ele invista na melhoria da qualidade e produtividade da safra, afirma Luiz Gusi, diretor do Departamento de Agricultura, da Secretaria de Agricultura. Este ano, a área com café adensado está crescendo 78%, passando a quase 19 mil hectares.
O primeiro passo nessa fase é o apoio à produção de mudas em tubetes nos viveiros municipais, abandonando o cultivo de mudas em sacos plásticos. A nova técnica, segundo Gusi, melhora o padrão da planta e também a sua sanidade, impedindo a proliferação de nematóides - praga que destrói as mudas e os cafezais.
Um convênio, para atender cerca de 100 viveiros, será assinado com as prefeituras e associações de produtores, que ficarão encarregados de repassar as mudas aos pequenos agricultores. Para receber os recursos, as prefeituras, que serão responsáveis pela compra dos tubetes e infra-estrutura, devem provar que têm condições técnicas para o cultivo de mudas.
Os pequenos agricultores, que ainda não plantam café adensado e não têm recursos para fazê-lo, vão receber financiamento para iniciar o plantio em área de um hectare. Pelos cálculos do governo, cerca de 400 produtores serão beneficiados, com assistência para análise de solo, combate a nematóide, insumos e mudas para plantio. A intenção é aumentar ainda mais a área plantada de café adensado.
Para melhorar a qualidade do café, os técnicos da Secretaria da Agricultura, Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e Emater vão estimular a chamada colheita no pano, que pode melhorar em até 40% a qualidade do café colhido. O método impede que os grãos colhidos se misturem aos que haviam caído durante o desenvolvimento da produção.
Isso impossibilita que grãos de má qualidade se misturem com os destinados à moagem. Também é necessário que se faça uma colheita seletiva, ou seja, duas vezes na mesma safra. Isso aumenta a qualidade, pois se pode fazer uma colheita com mais rigor, diz o pesquisador do Iapar Armando Androcioli Filho.
Além disso, os agricultores vão receber recursos para a construção de terreiros para a secagem do café. Serão construídas estruturas entre 100 e 200 metros quadrados nas pequenas propriedades. Para participar do programa e ter direito aos financiamentos, os produtores devem procurar as comissões regionais ou os conselhos municipais, explica Luiz Gusi.
Com os incentivos, o governo deseja que os produtores tenham acesso facilitado ao plantio, que vem apresentando bons resultados no Paraná, com vantagens sobre o plantio convencional. Cada hectare adensado tem de 8 mil a 12 mil plantas, contra apenas 2,5 mil no sistema convencional. Nas áreas de plantio convencional a produtividade é de 14 sacas beneficiadas por hectare. No adensado, chega a 41 sacas.
O café adensado gera um emprego a cada hectare, enquanto que o sistema convencional precisa de 2,5 hectares para criar um posto de trabalho. Os técnicos acreditam que o café adensado é responsável pela criação de cerca de 20 mil empregos diretos e receita bruta de R$ 48 milhões/ano. Para se colher uma saca beneficiada de café adensado o custo é de R$ 55, contra R$ 80 do convencional.


