Governo insiste na redução dos preços
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terça-feira, 11 de maio de 1999
Agência Estado 
O governo vai insistir para que as montadoras reduzam os reajustes anunciados na semana passada para os preços dos carros, que chegaram a 12%. Uma alternativa apresentada ontem pelo secretário de Política Industrial do Ministério do Desenvolvimento, Hélio Mattar, seria a concessão de um bônus (desconto fixo) em valor a ser definido de acordo com o modelo do veículo.
Mesmo que as empresas não aceitem o bônus, o governo está disposto a manter a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos carros por mais 120 dias, desde que o setor comprove que precisou reajustar os preços para cobrir custos com a defasagem cambial e também que está operando com baixa rentabilidade.
Mattar afirmou, contudo, que sem a adoção do bônus, a queda do IPI será inferior aos níveis atualmente em vigor no acordo de emergência. Para o carro popular, o IPI caiu de 10% para 5% e para o carro médio, de 25% a 30%, para 17%. Se ficar comprovado que o aumento não foi abusivo, essa redução, que terminaria no dia 17, será prorrogada até o dia 26.
Nessa data, a Trevisan Consultores, que inicia hoje uma auditoria nas quatro maiores fabricantes (Volkswagen, Fiat, General Motors e Ford), entregará os resultados sobre a rentabilidade dessas empresas. Caso os resultados não sejam considerados adequados, poderemos manter o IPI menor por mais três meses com o compromisso das empresas de garantir empregos e não reajustar preços no período, disse Mattar.
O critério para analisar a rentabilidade será o índice internacional usado pelo setor industrial, que é de 12% a 14% sobre o patrimônio líquido da companhia. Pela primeira vez vamos escancarar a caixa preta das montadoras para provar que precisamos do aumento para pagar nossas contas em dia, disse o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto.
Apesar de as empresas insistirem no reajuste, é minha obrigação tentar fazer com que mudem de idéia, disse Mattar, que pretende chamar a Anfavea para nova reunião ainda esta semana. A adoção do bônus também vai depender da liberação de créditos para o financiamento dos automóveis. A proposta em discussão - que vem enfrentando resistências dentro do próprio governo - é a liberação de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para o financiamento de carros a juros mais baixos que os de mercado.
Após reunião em São Paulo em que participaram também representantes dos trabalhadores, dos revendedores e das autopeças, Mattar afirmou que, se a auditoria não comprovar as informações da Anfavea, não haverá mais acordo.


