Governo inicia compra de excedente de álcool
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quarta-feira, 20 de janeiro de 1999
Mariângela Herédia Agência Estado 
O governo iniciará hoje um levantamento dos estoques de álcool nas usinas do País para definir as compras de 400 milhões de litros excedentes a partir de 15 de fevereiro. Ao fazer o anúncio ontem, durante audiência pública na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, o diretor da Agência Nacional de Petróleo, Julio Colombi Netto, advertiu que se o governo pegar tentativa de fraude nos estoques de qualquer lado tomará as medidas cabíveis. O problema é sério e não dá para ficar brincando de banditismo com coisas graves, afirmou.
A reunião de ontem foi a terceira realizada pela Comissão de Agricultura para debater os problemas do Proálcool, com a participação de representantes do governo, dos trabalhadores e das usinas. O empresário Lamartine Navarro Júnior cobrou do governo uma definição dos rumos do Proálcool e disse que o ciclo de debates sobre o programa se encerraria melancolicamente. O Proálcool está finalizando sua existência, disse.
O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Bolívar Moura Rocha, pediu um crédito de confiança e disse que os ministros que integram o Conselho Interministerial do Álcool (Cima) se reunirão nas próximas duas semanas para discutir o funcionamento do conselho e a interação com o setor produtivo. O presidente da Federação dos Plantadores de Cana (Feplana), Antônio Celso Cavalcanti, defendeu a fixação de regras para o setor, afirmando que a simples liberação dos preços anunciada pelo governo para maio colocará em risco 66 mil trabalhadores e 400 usinas. É preciso pelo menos fixar um preço mínimo para a cana-de- açúcar, disse.
O deputado José Múcio Monteiro (PFL-PE) criticou o governo por não definir claramente o que deseja do Proálcool. O governo não é a favor, as pessoas que estão no governo é que têm sido favoráveis, mas nenhuma medida concreta é tomada. Ele lembrou que o presidente Fernando Henrique prometeu fortalecer o Proálcool no governo dele, mas o primeiro mandato acabou sem que o programa tivesse rumos definidos para a sua revitalização.


