São Paulo O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento anuncia que dará total prioridade à erradicação da febre aftosa em 2005. Neste ano, o ministério terá R$ 65,3 milhões para custear e investir em ações de combate à doença no País. O volume de recursos é 114% superior aos R$ 30,5 milhões destinados pelo governo federal às ações em 2004.
''A vacinação é a única forma de eliminar a febre aftosa no Brasil. Por isso, é muito importante que todos os animais sejam imunizados'', diz o ministro Roberto Rodrigues. ''Estamos em guerra contra a aftosa''. Rodrigues lembra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez recentemente um apelo pessoal a todos os presidentes da América do Sul para ampliar o combate à doença em todo o continente.
O Ministério da Agricultura repassou no ano passado R$ 14,975 milhões de seu orçamento aos órgãos estaduais executores das ações de defesa agropecuária para combater a aftosa. Os esforços foram concentrados nas regiões Norte e Nordeste, segundo um acordo feito pelos secretários de Agricultura de todos os Estados em abril de 2004, durante reunião na Agrishow de Ribeirão Preto (SP). Rodrigues disse que, além disso, o presidente Lula decidiu destinar mais R$ 44 milhões do orçamento do governo federal, por meio de uma medida provisória, para ações de defesa agropecuária. Desse total, R$ 15,515 milhões foram investidos na erradicação da aftosa em todos os Estados do Centro-Sul.
A Secretaria de Defesa Agropecuária terá um orçamento de R$ 161 milhões para todas as suas ações em 2005 um acréscimo de 44% sobre 2004. No ano passado, os recursos chegaram a R$ 112 milhões, entre orçamento e verbas extraordinárias. O ministério terá um orçamento global de R$ 845 milhões para 2005. Além disso, o ministério gastará R$ 73 milhões para pagar dívidas, R$ 49 milhões em subvenções e outros R$ 2,042 bilhões na formação dos estoques estratégicos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Argentina A Sociedade Rural Argentina expressou ontem sua preocupação com sinais de febre aftosa detectados no Brasil. A Sociedade pediu ao governo do presidente Néstor Kirchner que tome uma ''ação férrea'' para impedir a entrada da aftosa no país.
As lideranças ruralistas argentinas sustentam que embora os técnicos brasileiros afirmem que o foco de aftosa está distante das fronteiras com a Argentina, ''é um risco que não podemos correr porque sabemos que a aftosa se expande velozmente''.
Os pecuaristas argentinos sustentam que estão preocupados com um foco do ''vírus C'' da aftosa: ''não se pode esquecer que o serotipo em questão só se encontra nas vacinas aplicadas pelo Brasil, Paraguai e Bolívia, e não na Argentina e Uruguai, o que transforma o gado destes países em espécies virgens de proteção para esse tipo de vírus''. Por esse motivo, a Sociedade Rural pediu que seja aplicada, ''com urgência'', uma vacina contra o ''vírus C'' na campanha de vacinação do gado que será iniciada em fevereiro.

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