‘‘O governo deixa de arrecadar IPI e ICMS, mas ganha na comercialização do álcool combustível’’, afirma o presidente da Abla, Antonio Cláudio Resende. Segundo ele, o consumo anual das 1.100 locadoras de veículos fica em torno de 600 milhões de litros. ‘‘Com um setor motivado, e agregando outros, o consumo do poderá ser bem superior’’.
Foi em 1975 que o Proálcool surgiu no País como alternativa energética. Nos anos 80 a produção de carro a álcool chegou a representar 95% do total, mas aí veio a crise de desabastecimento (1989) e o consumidor perdeu a confiança no programa. Hoje, a produção de veículos a álcool praticamente não existe.
Agora em janeiro e fevereiro foram comercializadas 100 unidades, o mesmo que participação zero no volume de veículos do País. No ano passado o índice foi de 0,25% (ou seja, 7 mil unidades) e no anterior, 3,2% (40 mil).
O presidente da Abla acredita que reuniu forças suficientes em defesa do projeto, mas admite que não é fácil para o governo tomar uma decisão nesse sentido. No Brasil de hoje criam-se impostos. É essa a questão. Existe até mesmo um movimento dentro do governo para lançar o ‘‘imposto ecológico’’ , acabar com o subsídio da Petrobrás e incentivar a produção de álcool.
Dos fabricantes de veículos, Resende não espera nenhum movimento contrário à campanha Frota Verde. ‘‘Eu já senti que com eles é o seguinte: se tem mercado, tem produção’’. Neste caso, porém, os fabricantes só se manifestam depois de ver um projeto oficial ou a proposta do governo.
O recado foi dado pela assessoria da Anfavea - Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores. ‘‘A posição da entidade é a seguinte: OK para um estímulo à produção (de veículos a álcool), mas desde que isso não onere os custos de produção, os custos da economia de mercado.’’ (B.F.)

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