O governo da França está se valendo da velha e difamada ação estatal para tentar incentivar a criação de empregos, considerado o principal problema econômico do país. Duas iniciativas se destacam como as mais ambiciosas do governo socialista dirigido pelo premiê Leonel Jospin: o subsídio à criação de novos postos para serem ocupados por trabalhadores jovens e a redução da jornada semanal de trabalho das 39 horas atuais para 35.
O primeiro proporciona ao governo resultados mais imediatos. Tem o objetivo de abrir vagas para trabalhadores entre 16 e 25 anos, faixa etária na qual o desemprego já chegou a mais de 25% e hoje se encontra em 23%. Já a redução da jornada de trabalho ainda precisa ser aprovada pelo Parlamento. Nesse caso, tornaria a redução obrigatória, nas empresas de maior porte, a partir do ano 2000.
O governo está financiando a criação de novos postos de trabalho dirigidos a jovens em empresas ou organismos públicos, mas também nas administrações locais (cidades, departamentos e regiões). Durante cinco anos, cada emprego valerá um subsídio de 92 mil francos (mais de US$ 15 mil) anuais ao órgão ou empresa que o criou. O orçamento do programa em 98 passa de US$ 1,4 bilhão. A prioridade é financiar projetos de pequeno porte.
Os órgãos públicos ou administrações locais devem identificar áreas carentes de um serviço e apresentar um projeto que é analisado pelo governo. Os projetos podem incluir áreas como segurança, lazer, esporte, turismo e educação, entre outras. Desse modo, por exemplo, a Prefeitura de Lille, no norte do país, apresentou a proposta de criação de uma vaga para o ensino de canoagem e alpinismo em um bairro tido como problemático da cidade.
De acordo com o primeiro levantamento feito pelo governo, 64% dos projetos apresentados ao programa visam a criação de apenas um emprego. Só 5% planejam oferecer mais de dez vagas. A meta do governo é poder dizer, no fim do ano, que 150 mil postos de trabalho foram criados desde o início do programa. Para dar um impulso inicial, foram criados 40 mil empregos na rede pública de ensino e na polícia.
Agora, o governo socialista quer que o setor privado francês programe a criação de 350 mil empregos para os trabalhadores jovens. Desejo que é recebido com estranheza pelo CNPF, entidade que representa o setor empresarial francês e argumenta que seus associados criam, a cada ano, mais de 1,5 milhão de empregos que são ocupados por esses jovens.
De qualquer modo, no dia 11 de junho, o presidente do CNPF, Ernest-Antoine Seilliere, lançará uma campanha para que seus associados ofereçam 400 mil novos contratos de aprendizado ou de alternância modalidades de absorção de jovens trabalhadores semelhantes aos estágios e trainees que há no Brasil.

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