Agência Estado
De Brasília
O Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool (Cima) deverá aprovar esta semana a venda de parte dos estoques de álcool hidratado do governo federal, para forçar a queda dos preços ao consumidor. O ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, formalizou ontem ao Cima a proposta de leiloar logo os estoques. Segundo o ministro, a medida reduziria o poder de imposição de reajustes nos preços por parte dos produtores de álcool, observado no início do mês.
O ministério também decidiu que a BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, irá funcionar mais uma vez como um regulador do mercado para forçar a concorrência a vender o combustível mais barato.
Na última sexta-feira, Tourinho sugeriu que os produtores de álcool estariam formando um cartel, controlando os preços, o que levou ao aumento nos preços de até 50%. Assim, o governo deverá determinar a venda do produto diretamente para as distribuidoras de combustíveis. O subsídio ao álcool hidratado foi extinto no dia 1º de novembro.
A liberação dos estoques seria uma estratégia equivocada, segundo o superintendente da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica), Luiz Carlos Corrêa Carvalho. Para ele, o governo iria combater a guerra pela frente errada. Carvalho disse que não entendeu a declaração do ministro das Minas e Energia, Rodolpho Tourinho. ‘‘Foi o próprio governo que decidiu criar estes estoques reguladores para reduzir as perdas dos produtores e ajudar a recuperação do preço do álcool, que caiu para um piso de R$ 0,16 por litro, pago ao produtor, em maio deste ano’’, disse Carvalho.
Segundo ele, o objetivo do governo seria recompor o preço pago ao produtor lentamente até chegar aos R$ 0,41 por litro pago em maio de 1997, antes da liberação do setor. Atualmente, o preço pago ao produtor gira em torno de R$ 0,30 por litro, inferior ao objetivo do governo. Para Carvalho, se o governo quer corrigir o preço do álcool na bomba, ‘‘ele precisa encontrar, antes, onde está o problema que não está no produtor’’.

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