Arquivo FolhaLuis Carlos Mendonça de Barros, do BNDES: privatização pode atrasarBRASÍLIA - O governo ficará com 50% dos recursos minerais que vierem a ser descobertos nas áreas de Carajás e Serra Leste pela CVRD (Companhia Vale do Rio Doce) após a privatização da empresa. Para isso, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) vai assinar um contrato de risco com a CVRD para pesquisar o potencial de recursos nessa área.
Depois de feita a pesquisa, o BNDES terá direito a 50% do que for descoberto e a CVRD ficará com os outros 50%, disse o ministro do Planejamento, Antonio Kandir após a reunião do CND. O BNDES poderá explorar essa área em conjunto com o novo dono da empresa. Poderá ainda vender seu direito de exploração ou comprar a parte do novo dono caso ele decida não explorar esses recursos.
O CND fixou prazo de 30 dias para o BNDES concluir o edital para venda da empresa. O vice-presidente do BNDES, José Pio Borges, disse que o leilão de privatização deverá ser realizado em abril. O preço mínimo da empresa será fixado no edital. Borges afirmou que o edital deve ficar pronto no final deste mês.
Jazida Geólogos e consultores da Vale estimam que a nova jazida mineral descoberta em Carajás (leste do Pará), em outubro de 1996, tenha 500 toneladas de ouro. A jazida teria assim três vezes mais minério do que a maior mina de ouro já dimensionada no país - Serra Leste (PA), com 150 toneladas, a 2 km do garimpo de Serra Pelada, já desativado.
Desde 1980, Serra Pelada produziu oficialmente 50 toneladas de ouro. O presidente do BNDES, Luís Carlos Mendonça de Barros, disse que pode haver atraso na privatização da Vale, para que não restem dúvidas sobre o processo. ‘‘Estamos gastando mais tempo do que se devia, mas não iremos adiante enquanto houver dúvidas.’’ Segundo ele, o programa de privatização tem um mérito do qual não abre mão. ‘‘Não há questionamento de natureza ética ou moral’’, afirmou.

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