O ministro da Agricultura, Blairo Maggi (à esquerda), e o presidente da Embrapa, Maurício Lopes, na sede da empresa em Londrina nesta sexta: falta consenso quanto à reposição do quadro de servidores
O ministro da Agricultura, Blairo Maggi (à esquerda), e o presidente da Embrapa, Maurício Lopes, na sede da empresa em Londrina nesta sexta: falta consenso quanto à reposição do quadro de servidores | Foto: Cláudio Nonaka/Embrapa Soja



A direção da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária e a Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (SEST), órgão do Ministério do Planejamento que atua sobre as empresas do governo federal, negociam os termos de um Programa de Demissão Voluntária (PDV) para os funcionários da instituição de pesquisa visando a redução de funcionários e de despesas.
Hoje, a Embrapa tem 9,7 mil profissionais atuando em todo o Brasil e a expectativa é reduzir entre 1 mil e 1,2 mil servidores. Em Londrina, há 310 funcionários em condições de aderir ao programa. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (10) pelo presidente da Embrapa, Maurício Antônio Lopes, e o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, durante visita à sede da estatal em Londrina.
Segundo Lopes, a definição dos termos do PDV esbarra na dificuldade de os dois órgãos chegarem a um entendimento sobre a necessidade de repor o quadro funcional. "A questão é que somos uma instituição de ciência e inovação. Nós precisamos renovar os nossos quadros. Há uma demanda da empresa pela saída de profissionais e nós precisamos garantir a entrada de novos profissionais que vão substituí-los. Estamos em negociação com o Ministério do Planejamento e com o Conselho de Administração da Embrapa", explicou o presidente da estatal. Ele não soube precisar o número de funcionários que seriam repostos após o desligamento daqueles que aderirem ao PDV.

Conhecimento
O governo federal vem implementando vários programas de demissão incentivada para corte de funcionários e redução de gastos. Lopes disse que a Embrapa está disposta a colaborar nesse processo, mas como instituição de ciência, a continuidade dos trabalhos de pesquisa no agronegócio é fundamental. "A Embrapa não fabrica porca e parafuso. Nós produzimos conhecimento, informação. As pessoas que estão para sair da empresa têm muito conhecimento, uma bagagem enorme de informações e essa informação precisa fluir para os novos profissionais que irão compor os quadros da empresa", declarou o presidente.
Lopes ressaltou que mesmo com a reposição do quadro de servidores a economia de recursos com o pagamento de salários estaria garantida em razão da redução nos valores dos vencimentos. "A saída de profissionais mais maduros, em final de carreira, que têm salários maiores, nos dá um certo grau de liberdade para contratação de profissionais mais jovens que chegam num patamar salarial inferior."
"O presidente Maurício tem todo o meu apoio (na tentativa de manter os cargos) porque não dá para fechar vagas na pesquisa. Nós podemos aposentar aqueles que já estão com tempo vencido, mas precisamos abrir novas vagas para o futuro", disse o ministro da Agricultura. Maggi admitiu que a Empresa necessita de mais recursos para pesquisas e recebeu essa reivindicação dos cientistas, mas adiantou que no momento o governo não tem condições de aumentar a verba para pesquisa. "Eu entendo que os cientistas precisam de muito mais para competir com as grandes multinacionais, mas infelizmente nós não temos nesse momento. O Brasil vive uma crise econômica bastante profunda e nós temos que trabalhar dessa maneira."

INVESTIMENTOS
Para driblar a limitação de recursos que impactou os trabalhos desenvolvidos pela Embrapa, Maurício Lopes disse que há esforços para buscar dinheiro em outras fontes. "Nós temos hoje cerca de 400 acordos de cooperação de empresas públicas, privadas, nacionais, internacionais. Isso tudo nos dá um certo fôlego para superar e suportar esse momento de recursos do tesouro mais deprimidos", comentou.
Também tramita no Congresso Nacional um projeto para criação da EmbrapaTec, que será uma subsidiária da Embrapa formatada exclusivamente para fortalecer a interação da instituição de pesquisa agropecuária com o mercado de inovações. "(A nova empresa) irá fortalecer contratos com o setor produtivo, viabilizar a comercialização de tecnologia de forma mais rápida, gerando mais recursos além dos recursos do tesouro nacional", disse Lopes.

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