Governo federal não freia dívida em títulos
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sexta-feira, 19 de janeiro de 2001
Agência Folha De Brasília 
O governo obteve no ano passado progressos tímidos na melhora do perfil de sua dívida em títulos público, um dos pontos fracos da economia mais lembrados pelos investidores estrangeiros. Os problemas da dívida são conhecidos: o prazo é curto, o débito é grande e crescente e os juros dos papéis estão vinculados a indexadores desfavoráveis, como o dólar e a taxa básica de juros.
Em 2000, o débito voltou a crescer. Passou de R$ 456,86 bilhões em fevereiro, quando o Tesouro adotou a atual metodologia de cálculo do débito, para R$ 511,7 bilhões em dezembro passado. A dívida só vai cair quando houver superávits nominais (arrecadação acima dos gastos, incluindo juros da dívida), como ocorre nos Estados Unidos, disse Paulo Valle, coordenador da Dívida Pública do Tesouro Nacional.
A dívida vem crescendo continuamente desde o primeiro ano do mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso. Em dezembro de 1994, o débito equivalia a 11,7% do PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas no País), contra 44,5% em dezembro de 2000.
Cinco fatores principais explicam a alta do débito: pagamento de juros, altos déficits do governo, programas de socorro aos bancos privados e estaduais, federalização de dívidas estaduais e municipais e reconhecimento de dívidas antigas os chamados esqueletos.
O progresso também foi pequeno na melhora da composição da dívida. Uma parcela significativa do débito, 22,23%, está vinculada ao câmbio, contra 21,57% em fevereiro passado. Esse tipo de dívida é desfavorável porque, quando o dólar sobe, o governo gasta mais com o pagamento de juros.


