Governo Federal deve incluir agronegócio
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sábado, 21 de fevereiro de 2004
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
O planejamento do governo federal para a política industrial em 2004 deve incluir também benefícios aos segmentos de agronegócio e biotecnologia, afirmou ontem o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Rodrigo da Rocha Loures. No início da semana, representantes do setor industrial do Paraná estiveram em Brasília para discutir tal planejamento e temia-se que prováveis benefícios fossem direcionados apenas aos setores farmacêutico, de semicondutores, softwares e bens de capital. Tanto a Fiep quanto a bancada paranaense no congresso acreditam que essa política prejudicaria o estado, onde 70% da economia está vinculada ao agronegócio, segundo informações da própria Fiep.
A política industrial do Planalto deve se tornar pública somente no final de março e segmentos diretamente relacionados com tecnologia devem ser os principais beneficiados. De acordo com Rocha Loures, o Planalto justifica sua posição partindo do pressuposto de que setores em que o País é dependente de importações devem ser os maiores beneficiados. A inclusão do agronegócio e da biotecnologia, segundo Rocha Loures, ajudaria o estado do Paraná a retomar investimentos e pesquisa, mantendo a competitividade também nas exportações. ''Paralelamente, também estamos propondo a ajuda a empresas com vocação para a inovação'', disse o presidente da Fiep.
Na opinião de Rocha Loures, a criação de facilidades e o barateamento do crédito, bem como incentivos fiscais ao agronegócio, devem ser tratadas sistemicamente pelo governo federal. ''Mas, pelo contrário, esse segmento estava abandonado pelo governo federal há pelo menos 10 anos'', disse. A falta de informações e interação entre o congresso e o setor industrial, segundo Loures, estaria prejudicando essa intenção. ''Percebemos a boa vontade do governo em ajudar o agronegócio. O que falta é informação.''
Para isso, a Fiep pretende realizar, a partir do próximo mês, encontros regionais com representantes do setor para reunir informações e detectar as carências do estado. A primeira reunião, sem data prevista, deve acontecer em Londrina. Maringá, Cascavel, Ponta Grossa e Curitiba são alguns dos municípios incluídos no cronograma da Fiep.
Loures destacou questões logísticas como as principais dificuldades enfrentadas pelos produtores rurais paranaenses. ''Precisamos do redirecionamento de ferrovias, reforma de rodovias e otimização do nosso porto'', destacou. A produtividade do setor, para Rocha Loures, mantém bons níveis em todos os segmentos.
A necessidade de barateamento do crédito justifica-se justamente para a manutenção da competitividade dos produtores do estado, na opinião de Loures. ''Precisamos investir continuamente em pesquisa e novas tecnologias. O estado não tem recursos para isso e é aí que o governo federal entra''.


