Governo faz proposta para greve terminar
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quinta-feira, 07 de outubro de 2004
Kennedy Alencar<br>Folhapress 
Brasília Após consulta ao presidente Lula, o ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, apresentou ontem ao comando de greve dos bancários uma proposta para tentar encerrar a paralisação no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal. Pela proposta, os 23 dias parados até hoje seriam divididos em três parcelas. Os bancos oficiais anistiariam a primeira parcela, descontariam a segunda do salário e compensariam a terceira com horas extras.
Ao longo da tarde, Berzoini e dirigentes do PT com origem no sindicalismo bancário como o deputado federal Paulo Bernardo (PR) convenceram os comandos de greve a apresentar a proposta à base. A proposta é uma tentativa de dar aos grevistas uma ''saída honrosa''. Enfraquecida, a greve se restringe basicamente aos dois principais bancos oficiais: BB e CEF. Do ponto de vista econômico, os bancários minimizaram sua perda. Os grevistas tiveram derrotada sua principal reivindicação: reajuste de 19%, com data-base em setembro.
A Folha de S.Paulo apurou que a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) endossaria a proposta do governo. Berzoini conversou diretamente com alguns banqueiros. Como a paralisação nos bancos privados foi menor, deverá haver uma negociação caso a caso, em moldes parecidos com a proposta dos bancos oficiais anistia, desconto de parte dos dias e compensação com horas extras.
Depois de obter o aval de Lula, Berzoini conversou com os presidentes da CEF, Jorge Mattoso, e com membros da cúpula do Banco do Brasil. Os dois bancos aceitaram a oferta. ''(A proposta do governo) é o possível neste momento. É a primeira vez em 11 anos que é feita uma proposta de reajuste com aumento real. Sinto ainda que há compreensão da parte dos bancários, que entendem que a população não pode ser prejudicada'', disse Bernardo, que trabalhou no Banco do Brasil e foi um dos negociadores de bastidor.
Para o presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Luiz Claudio Marcolino, nenhuma proposta foi formalizada aos sindicalistas. ''A única proposta que houve até agora foi a da Fenaban, que foi rejeitada. Nada mais foi proposto. O que existe é muito boato na tentativa de desmobilizar a categoria'', disse.
Os bancários estão em greve desde 15 de setembro. No dia 14, eles rejeitaram a proposta dos bancos que previa de 8,5% a 12,77% de reajuste, dependendo da faixa salarial. Inicialmente, pediam 25% de reajuste e aprovaram uma redução para 19% na tentativa de retomar as negociações. Ontem à noite, os sindicatos de Londrina e Curitiba fariam uma assembléia para discutir a proposta. Até o fechamento desta edição, não havia decisão.
Petroleiros A Federação Única dos Petroleiros (FUP) decidiu ontem que vai deflagrar uma greve nacional da categoria no dia 19, caso a proposta da Petrobras não seja aceita. O diretor da FUP, José Maria Rangel, disse que os petroleiros terão uma reunião hoje, às 14 horas com a diretoria da companhia, no Rio.


