Brasília - Depois de ter recuado da decisão de aumentar a contribuição previdenciária das empresas para pagar a correção das aposentadorias devidas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o governo continuava ontem sem uma solução para honrar essa dívida a partir de 2005. O ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Guido Mantega, admitiu ontem que apenas para 2004 ‘‘o caso está administrado’’.
  Ao confirmar que a administração federal recuou por causa de pressões do setor privado e de aliados políticos, Mantega informou que o excesso de arrecadação obtido nos últimos meses será usado para abater parte da dívida. Ele disse, no entanto, que a equipe econômica ainda não sabe de onde vai retirar o dinheiro para quitar, a partir de 2005, a correção dos benefícios. ‘‘Neste momento, vamos cobrir essa diferença com recursos de excesso de arrecadação até encontrarmos outra solução para o esqueleto gerado no governo anterior’’, disse.
  Os técnicos do Executivo estimam, segundo o ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, que a despesa anual com os reajustes dos proventos chegará a R$ 2,3 bilhões. Serão necessários R$ 12,3 bilhões para fazer todas as correções exigidas pela Justiça.
  Ao apresentar uma solução emergencial para a questão, Mantega observou que a Receita Federal alcançou uma receita recorde de R$ 26,566 bilhões em junho. O Fisco registrou um crescimento real da arrecadação em junho (corrigida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de 28,23% em relação a junho de 2003, e de 7,32% numa comparação com maio deste ano. ‘‘Temos um problema de curto prazo e um problema de longo prazo’’, disse, descartando aumento de carga tributária. ‘‘O de curto prazo será resolvido com o excesso de arrecadação. Já o de longo prazo vamos pensar melhor.’’

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