Governo estuda seguro contra El Ni¤o
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segunda-feira, 22 de setembro de 1997
Mariângela Heredia Agência Estado Brasília 
ArquivoCuidado redobradoParaná deve reforçar práticas de proteção. El Ni¤o trará muita chuva O ministro da Agricultura, Arlindo Porto, disse ontem à Agência Estado que o governo deve criar uma linha de seguro especial para cobrir possíveis perdas na lavoura provocadas pelo fenômeno climático El Ni¤o. A idéia, segundo os técnicos do ministério, é incluir o El Ni¤o entre as catástrofes climáticas previstas no Proagro, que já garante o pagamento de perdas provocadas por seca, tromba-dágua e granizo.
Na quarta-feira, o ministro deverá receber uma proposta técnica com sugestões de medidas preventivas que poderão ser tomadas para amenizar as consequências do El Ni¤o no Brasil. O ministério vai reforçar a orientação aos produtores rurais de plantarem de acordo com o zoneamento agrícola (condição para o Proagro) e consultarem os centros de pesquisa da Embrapa em todo o País.
O especialista em agrometeorologia do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Expedito Rabello, acredita que haverá pouca influência do El Ni¤o na agricultura brasileira, apesar de o fenômeno estar sendo considerado o mais forte do século. As consequências serão maiores se houver muita enchente no Sul e veranicos nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, avalia. Os Estados do Sul que tratem de pôr em prática, agora no preparo de solos, as práticas de conservação recomendadas pelas pesquisas. Já no caso da seca as medidas para atenuar as consequências são mais difíceis porque demandariam investimentos de longo prazo, como irrigação, e deveria estar implantadas.
Gesso O grupo técnico constituído pelo ministro para propor ações preventivas está trabalhando no relatório que lhe será entregue até quarta-feira. Algumas idéias discutidas pelos técnicos da Embrapa, Inmet, Conab e Secretaria de Política Agrícola do ministério são as de recomendar aos produtores das regiões Sudeste e Centro-Oeste - ou outras regiões sujeitas a seca prolongada - a colocação de gesso no solo, para que as raízes se aprofundem e resistam aos veranicos previstos, e o direcionamento dos investimentos do crédito rural para perfuração de poços, captação de águas e irrigação no Nordeste, onde o El Ni¤o deverá provocar secas ainda mais prolongadas.
As secretarias estaduais de agricultura deverão monitorar o El Ni¤o e orientar localmente os produtores, como no caso do Mato Grosso do Sul, onde as enchentes previstas poderão afetar a pecuária da região. Os órgãos do governo vão alertar os produtores para que desloquem os rebanhos para terras firmes, quando o nível das águas colocar em risco a permanência do gado em determinados locais. A Conab terá a missão de distribuir cestas básicas para a população atingida pelas enchentes no Sul e seca no Nordeste.


