Brasília - O governo estuda um pacote de R$ 6 bilhões para a agricultura familiar, a ser liberado para 300 mil agricultores já na safra 2008/2009, que será cultivada a partir de setembro. Até 2010, o investimento previsto por parte do governo é de R$ 25 bilhões, beneficiando para um milhão de pequenos produtores, que teriam acesso a uma linha crédito de até R$ 100 mil, com juro de 2% ao ano.
Eles teriam dez anos para quitar o empréstimo, com até três anos de carência. Essas são as linhas básicas do programa ''Mais Alimentos'', apresentado ontem pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, durante a reunião ministerial. A Agência Estado obteve cópia do material apresentado ontem durante o encontro. Para enfatizar a necessidade do pacote, um técnico do governo lembrou que dos 150 produtos medidos pela IPCA, que calcula o índice de inflação, dois terços são produzidos pela agricultura familiar.
Os recursos seriam utilizados para aumentar a produtividade do pequeno produtor, via aquisição de novas tecnologias e máquinas. No documento, é citado o caso do leite. No Brasil, o rendimento médio anual da pecuária leiteira é previsto em 1,7 tonelada por cabeça para 2008. Em países desenvolvidos, a produtividade chega a 9,4 toneladas por cabeça (Estados Unidos) e 9 toneladas por cabeça (Japão).
Além da linha de crédito, o Desenvolvimento Agrário prevê uma parceria com a Anfavea para concessão de desconto de 15% no valor de venda de tratores adequados à agricultura familiar. A meta é estimular a aquisição de 60 mil tratores em três anos. Embora o programa ''Mais Alimentos'' conte com a simpatia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele ainda depende do aval da área econômica. Durante a reunião ministerial, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, apresentou tabela com o comportamento dos preços dos alimentos nos últimos 30 dias para reforçar a avaliação de seu colega da Fazenda, Guido Mantega, que os preços estão-se acomodando. ''Vários preços estão caindo'', disse. Ele salientou, porém, que a ''preocupação maior'' do governo, no momento, e em relação aos preços do feijão e da carne bovina.

mockup