Ed Ferreira/AEInviávelFHC com o ministro das Relações Exteriores, Felipe Lampreia: ministério das Exportações é descartado


BRASÍLIA - O presidente Fernando Henrique Cardoso pode criar um organismo governamental autônomo para gerir a política e as ações da área de comércio exterior. A nova estrutura seguiria os moldes da USTR (United States Trade Representative) - o departamento do comércio norte-americano, subordinado diretamente à Casa Branca.
A proposta foi confirmada ontem pelo porta-voz da Presidência da República, Sergio Amaral. Foi a resposta de FHC a um pedido de empresários, integrantes do Comitê Empresarial Permanente - encarregados pelo governo de avaliar temas econômicos e internacionais do País. De acordo com Amaral, a idéia é ampliar a Câmara de Comércio Exterior - ligada à Casa Civil. Ele disse que a câmara é um ‘‘embrião’’ do que pode vir a ser o futuro órgão autônomo. ‘‘Não é solução criar mais um ministério. O problema do governo hoje é coordenar as ações dos diversos ministérios que trabalham com temas relacionados ao comércio externo’’, afirmou.
Durante almoço ontem no Itamaraty com 41 membros do comitê, Luiz Fernando Furlan (presidente do Grupo Sadia) sugeriu a criação de um ministério próprio para cuidar do assunto. Furlan disse que, se FHC tivesse apenas quatro anos de mandato, não faria tal pedido. Mas, segundo ele, como a perspectiva é de seis anos, faz-se necessário enfatizar a estrutura das exportações.

Empresários
sugeriram um
ministério
para o setor


FHC disse concordar com a necessidade de incrementar o comércio externo, mas rejeitou a hipótese de mais um ministério. O presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), senador Fernando Bezerra (PMDB-RN), disse ter achado a idéia interessante. ‘‘Será algo maior do que um ministério, com mais liberdade’’, observou. Os empresários abandonaram o antigo discurso em favor da revisão da política cambial e da redução do ‘‘custo Brasil’’ e sintonizaram seus pontos de vista com os do governo.
Diante de FHC, eles defenderam a mesma iniciativa escolhida pelo governo para aumentar a produtividade e elevar as exportações - a adoção de uma política industrial, com incentivos a 17 setores - inicialmente, seriam 15. ‘‘Essa questão da balança comercial não se reduz à mudança de câmbio. São problemas mais profundos, que exigem uma política de incentivos à produção de bens’’, afirmou Olavo Setúbal, do grupo Itaú.
Três empresários propuseram um brinde em favor da aprovação da emenda da reeleição, prevista para ser votada ontem pelo plenário da Câmara. Dois deles, Marcus Vinícius Pratini de Moraes (presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil) e Stefan Salej (presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), ressaltaram a confiança do empresariado no governo FHC. Na avaliação do presidente de Olavo Setúbal, a reeleição ‘‘é tranquila’’. Ele disse que a estabilidade política, que seria obtida com mais um mandato, dá segurança ao mercado.

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