Arquivo FolhaO secretário Mendonça de Barros: medidas contra empréstimos longosO governo deverá decidir, até o próximo mês, se usa ou não os instrumentos mais fortes à sua disposição para conter o consumo: restrição ao prazo de empréstimos bancários, ao crédito rotativo do cartão de crédito e ao cartão de crédito internacional, informaram ontem assessores da equipe econômica, consultados pela Agência Estado.
O aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre empréstimos a pessoas físicas, anunciado na última sexta-feira, deverá ter pouco impacto sobre a economia e foi apenas uma sinalização ao mercado, acrescentaram essas fontes. A intenção é mostrar que o governo está atento ao assunto. Medidas mais fortes não deverão ser deixadas para o segundo semestre, em razão do atraso existente entre a sua adoção seu efeito prático.
Restrições ao consumo adotadas a partir de julho não teriam seu pleno efeito a tempo de impedir o aumento da demanda em outubro, quando são feitas encomendas para o Natal. O impacto viria provavelmente no início de 1998, o que é considerado indesejável pelo governo, por se tratar de ano eleitoral.
O mecanismo mais efetivo para deter o consumo, segundo os técnicos, é a limitação do número de parcelas dos financiamentos. O diagnóstico do governo é que os empréstimos estão se tornando mais longos, permitindo que a prestação final caia para os cosumidores. ‘‘Com a prestação que antes pagava uma geladeira, hoje é possível comprar um carro’’, tem afirmado o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, José Roberto Mendonça de Barros.
A restrição ao crédito rotativo dos cartões de crédito segue a mesma lógica. Além disto, uma eventual imposição de limite de gastos aos cartões de crédito internacionais teria a vantagem de ajudar a barrar a saída de dólares para o exterior. O aumento adotado para o IOF é considerado menos efetivo porque os empréstimos concedidos a pessoas físicas têm taxas de juros muitas vezes próximas a 100% ao ano. Por isto, a nova alíquota de IOF, de 15%, não representaria um grande desestímulo aos consumidores.
Além disto, como a competição pelo mercado dos financiamentos às pessoas físicas está aumentando, é possível que os bancos acabem absorvendo parte deste custo. A hesitação do governo até agora em frear a economia vem do temor de chegar ao fim do ano com um crescimento do PIB muito baixo. Mas o alto déficit da balança comercial, de US$ 4 bilhões nos quatro primeiros meses do ano, está pressionando os técnicos no sentido contrário.
Quem perde O consumidor de carros populares deverá ser o maior prejudicado pela medida do governo, que aumentou o IOF de 6% para 15%, o que elevará as prestações mensais do financiamento em 10% a 11%. Esse segmento responde atualmente por cerca de 60% das vendas de veículos e é o que mais utiliza o crediário. Em uma revenda da General Motors em São Paulo, alguns clientes que estavam prestes a fechar negócios calcularam aumentos de R$ 20 a R$ 30 nas prestações e já pensam em desistir, segundo o diretor da empresa e presidente da Associação dos Revendedores Chevrolet, Mário Cordeiro de Menezes Júnior.
O Banco Volkswagen anunciou que, a partir de quarta-feira, vai aumentar de 20% para 25% o valor da entrada para os modelos da marca. O diretor de serviços financeiros, Marcos Vinicius Moya, diz que o objetivo é garantir maior proteção à instituição financeira e reduzir o valor que sobra para o financiamento.

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