Governo estuda meios para comercialização
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quinta-feira, 11 de dezembro de 1997
Agência Estado São Paulo 
Arquivo FolhaPrevisão negativaMercado sinaliza grande frustração na venda da próxima safraA flexibilização da concessão dos Empréstimos do Governo Federal Sem Opção de Venda (EGF-SOV) para a indústria têxtil deverá ser votada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) no próximo dia 18. A informação é do diretor de Abastecimento do Ministério da Agricultura, Vilmondes Olegário da Silva.
O novo EGF deverá permitir que a indústria contrate financiamento também para comprar de atacadistas. Pelas regras atuais, o empréstimo só pode ser contratado pelas fiações para compra de produto de cooperativas ou diretamente de produtores.
A possibilidade de a indústria substituir o algodão em pluma pelo fio como produto de penhora do EGF não foi definida pelo voto que será enviado ao CMN. A indústria alega que a possibilidade de amortizar o empréstimo ao comercializar o fio é uma vantagem a mais que estimularia a compra de algodão nacional. Atualmente, o EGF só serve para estocagem de algodão e tem que ser quitado quando a indústria processa a pluma. De qualquer forma, a mudança no objeto do penhor pode ser definida posteriormente e não precisa constar do voto que vai ao CMN, disse Vilmondes. O governo poderá estudar a penhora de fios, assegurou.
Membros da Secretaria de Política Agrícola, Conab e do Ministério da Fazenda devem se reunir na próxima semana para discutir outras ferramentas para melhorar a comercialização de algodão. Segundo Vilmondes, a reunião será marcada pelo Secretário de Política Agrícola, Benedito Rosa do Espírito Santo, e ainda não tem data certa.
As condições atuais do mercado sinalizam para uma grande frustração na venda da safra de algodão, na avaliação de Hugo Neri, presidente do Sindicato dos Corretores de Mercadorias do Estado de São Paulo. Nieri afirma que mesmo a ampliação da Tarifa Externa Comum de 3% para 6% não deverá deter o fluxo de produto importado ao Brasil, já que países do Mercosul estão fora da tributação. A Argentina deve ter um saldo exportável de 300 mil toneladas, e o Paraguai, de 100 mil toneladas, observou. Esse algodão deverá despencar sobre o mercado nacional com condições de financiamento muito melhores que a safra nacional, alega.


