Governo estuda incentivo a outros setores
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quarta-feira, 13 de agosto de 2003
Agência Estado<br> Adriana Fernandes 
Brasília - O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, estuda a possibilidade de o governo dar incentivos a outros setores da economia, como fez com o automotivo. A informação é do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Horácio Lafer Piva, que discutiu ontem com o ministro, durante um café da manhã no Ministério da Fazenda, a necessidade de ''planos, projetos e investimentos'' do governo para trazer um pouco mais de fôlego para a economia.
''Nós temos pressa para vencer essa situação de percepção negativa em relação à economia. Nos dois últimos meses tivemos uma queda expressiva da atividade econômica, com estoques altos, pátios de montadoras cheios e as prateleiras dos mercados carregadas'', disse Piva. O empresário preferiu não revelar os setores que podem receber incentivos do governo. ''Qualquer setor que possa gerar um pouco de consumo por uma ponta e emprego pela outra vai ter apoio'', disse.
Piva citou como exemplo o setor de construção civil e de produção da chamada linha branca de eletrodomésticos (geladeira, máquina de lavar roupa, freezer, por exemplo), que permitem aumentar o consumo geral e são empregam alto volume de mão-de-obra. ''Seria importante criar neste momento programas de alto impacto, alguma espécie de apoio para que esses setores se desenvolvam'', afirmou. ''Ele (Palocci) sabe perfeitamente bem quais os setores que precisam de mais apoio no curto e no médio prazos e quais os setores que têm vocação no longo prazo'', afirmou Piva.
Na avaliação de Piva, setores como o de siderurgia e de papel e celulose estão entre os que precisam de incentivo do governo. Segundo ele esses setores ''podem e querem iniciar uma fase de investimentos neste momento''. Piva acredita que esse incentivo pode ajudar na melhora do saldo da balança comercial. Mas salientou que Palocci administra uma situação de escassez de recursos.
Piva previu que o segundo semestre será melhor que o primeiro para a economia. De agosto a setembro a indústria deve se esforçar para desovar seus produtos. Piva acredita que haverá um crescimento 1,5% da atividade econômica este ano. ''É pouco em relação aos 2,5% que previmos no início do ano e aos 4,5% que necessitaríamos, mas vamos ter um pouco mais de movimento'', comentou.
O presidente da Fiesp também cobrou de Palocci uma redução mais agressiva da taxa de juros. ''Já viu industrial não falar em taxa de juros?'', disse Piva. Para ele, não há nenhuma razão para o Brasil continuar mantendo o atual nível das taxas. E acrescentou que o ministro concorda com a avaliação de que esse nível é atualmente muito elevado.


