Genebra - A Câmara de Comércio Exterior (Camex) se reúne amanhã, em Brasília, para debater se o governo Luiz Inácio Lula da Silva irá dar seguimento às disputas comerciais abertas pelo governo anterior contra o protecionismo da União Européia (UE) e dos Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio (OMC). No ano passado, o Brasil iniciou disputas no setor de suco de laranja, algodão, frango e açúcar, mas desde que o novo governo tomou posse, os casos, que deverão custar milhões ao setor privado, ficaram abandonados.
Uma das principais disputas é contra os Estados Unidos. Os brasileiros argumentam que os subsídios da Casa Branca aos seus produtores de algodão afetam a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional. Em 2002, os dois países se reuniram em Genebra, mas até agora o Brasil não pediu a criação de um painel (comitê de arbitragem) da OMC para avaliar o caso.
Outra disputa contra os americanos é no setor de suco de laranja. O Itamaraty se queixa de que uma taxa cobrada pelo Estado da Flórida sobre o produto brasileiro há várias décadas é incompatível com as regras da OMC.
Contra a UE, as reclamações brasileiras são numerosas. O País, em conjunto com a Austrália, deu indicações de que poderia iniciar no ano passado um caso contra a política açucareira da Europa, que prejudicava as exportações nacionais. Mas a pressão dos países africanos que se beneficiam do regime europeu está deixando o caso com uma forte conotação política. Assim como no caso da disputas com os Estados Unidos, o Brasil não passou de uma reunião de consultas com os europeus no ano passado.

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