Brasília - O secretário-geral da Presidência, ministro Luiz Dulci, disse ontem que o governo estuda a correção da tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física. Segundo ele, estes estudos estão sendo coordenados pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Machado.
O ministro Dulci afirmou também que o BNDES vai estudar proposta das centrais sindicais para atrelar a concessão de crédito à manutenção do emprego pelas empresas. Dulci telefonou para o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, para marcar encontro com os dirigentes PDAs principais centrais sindicais. Segundo ele, o esforço do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do governo é para garantir o emprego. ''O presidente é interessado que as reivindicações das centrais sejam analisadas'', ressaltou.
Dulci disse que vem coordenando o diálogo do governo com as centrais sindicais. O presidente Lula e o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, já receberam os dirigentes dessas centrais em reuniões ocorridas emana passada. Dulci não soube informar quando será a reunião com Coutinho.
O presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), cobrou do governo o anúncio de medidas para a garantia do emprego em 2009. Segundo ele, se o governo não der uma sinalização correta em favor do emprego, haverá um ''grande tsunami'' de desemprego no início do ano que vem. ''Tem que ser hoje (ontem). Estamos às vésperas do Natal. O governo tem que tomar medidas'', disse, ao chegar ao Ministério da Fazenda para uma reunião com o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
Paulinho informou que, na reunião, iria ''centrar fogo'' na proposta de correção de pelo menos em 10% na tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física ou na adoção de uma nova tabela, além da ampliação de cinco para dez do número de parcelas do seguro desemprego. Para que a mudança no seguro-desemprego ocorra, explicou ele, será preciso a edição de uma medida provisória ou projeto de lei porque a legislação em vigor só permite o aumento em duas parcelas.
O deputado informou ainda que na reunião com o ministro Mantega as centrais iriam pedir que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduza a Selic em dois pontos porcentuais e que todas as empresas que recebam recursos do governo se comprometam com a manutenção do emprego. Ele classificou de loucura a proposta dos empresários de suspender o recolhimento do FGTS para garantir o emprego. ''Isso não resolve o problema da crise. Estamos aqui com outras propostas'', disse.
O deputado avaliou que suspender o pagamento do FGTS é mexer nos direitos dos trabalhadores e é uma proposta que jamais teria o apoio pelas centrais. ''Mexer nesse direito jamais aceitaríamos. Topamos discutir outras alternativas com as empresas, que não seja esta'', afirmou.

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