Curitiba - Nem mesmo as medidas do governo de estímulo ao crescimento econômico como a redução de juros e a desoneração de impostos foram suficientes para que o Produto Interno Bruto (PIB) apresentasse um resultado melhor. No segundo trimestre do ano, o PIB teve um leve crescimento de 0,4% na comparação com o primeiro trimestre de 2012. De acordo com o presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Gilmar Lourenço, os números do Estado devem ser divulgados na próxima semana. Mas ele adiantou que o crescimento registrado pelo Paraná no semestre foi bem superior ao do Brasil.
Segundo ele, o Estado teve o crescimento do PIB puxado pela produção industrial e pelo comércio que replicam o crescimento do mercado de trabalho impulsionado pelo aumento dos salários e do índice de emprego. ''Todos os indicadores mostram que a economia do Paraná continua com vigor'', disse. Em 2011, o PIB brasileiro cresceu 2,7% e o paranaense 4%.
Nos primeiros seis meses do ano, a economia brasileira teve uma expansão de 0,6% ante o mesmo período de 2011. Em valores, o PIB somou R$ 1,1 trilhão no segundo trimestre. Os dados foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado do segundo trimestre do ano já era previsto pelo mercado que tinha expectativa de crescimento de apenas 0,5%. No primeiro trimestre do ano, o crescimento registrado foi de 0,1%.
O economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Cid Cordeiro, disse que a desaceleração veio em função do aprofundamento da crise na Europa, ao menor crescimento dos Estados Unidos e a desaceleração da China. Isso tudo criou um ambiente de insegurança que atinge os investimentos por parte das empresas. Ele destacou que entre os fatores que puxaram o PIB para baixo estão a queda na produção industrial e a redução das exportações.
Cordeiro prevê uma melhora do PIB apenas no último trimestre de 2012 com projeção de aumento de 4%. Isso deve ocorrer em função das medidas que o governo adotou como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), principalmente de automóveis e eletrodomésticos da linha branca, e a queda dos juros. O segundo semestre também receberá o impacto positivo da renda das famílias. Ele disse também que após um pico de inadimplência, ela deve começar a ceder. Para 2012, ele projeta um crescimento do PIB entre 1,5% e 1,8%.
Com este resultado do segundo trimestre ''dá para considerar que a economia está estagnada'', disse o economista e conselheiro do Conselho Regional de Economia do Paraná (Corecon-PR) Eduardo André Consentino. Para ele, as políticas econômicas que o governo está adotando não estão surtindo os efeitos esperados.
Ele lembrou que para que a economia voltasse a crescer o governo baixou os juros e reduziu o IPI, mas a população está endividada. ''E as montadoras, em nenhum momento estão colaborando para reduzir as margens de lucro'', disse. Cosentino defende que o governo adote outras medidas como a redução de impostos sobre a folha de pagamento das empresas.
O economista do Corecon não acredita em recuperação do PIB neste ano. Para ele, o País teria que incentivar a produção industrial e criar barreiras para as importações.

Imagem ilustrativa da imagem Governo estimula, mas PIB cresce só 0,4%
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