Governo espera efeito ''surpreendente''
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segunda-feira, 12 de julho de 2004
Agência Estado 
Brasília - As medidas microeconômicas aprovadas semana passada pelo Congresso Nacional ainda levarão dois a três anos para mostrar todos seus efeitos, mas quando isso acontecer a queda na taxa de juros será ''surpreendente'', na avaliação do secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy. Alguns projetos, admite, como o que traz incentivo à construção civil, poderão ter uma resposta rápida. Levy reconhece, porém, que há um grande desafio no caminho: controlar a despesa pública e ''fortalecer o investimento público de maneira organizada e prudente, ao mesmo tempo que se consolidam as condições para o investimento privado.''
Entre as medidas microeconômicas comemoradas pelo governo está a aprovação da Lei de Falências pelo Senado. Agora o projeto parte para derradeira avaliação da Câmara dos Deputados, a última etapa de seus 11 anos de tramitação. A Câmara também votou a Lei de Inovação, que cria mecanismos de aproximação entre o setor privado e os centros de pesquisa.
Aprovou, ainda, a criação da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), que será a responsável pela implementação das medidas de política industrial.
Mantido o rumo, disse Levy, será possível reduzir a dívida pública como proporção do Produto Interno Bruto (PIB) e estabelecer condições favoráveis ao crescimento econômico. O secretário avaliou que não há risco de um ''apagão de infra-estrutura'' em função da retomada da atividade econômica, como vêm apontando economistas e empresários. ''O investimento em infra-estrutura será um primordial no governo Lula'', assegurou. ''Mas isso não quer dizer que o governo terá de gastar muito.''
Sem dar detalhes, ele informou que será necessário ''modernizar'' a forma como o investimento público é conduzido. Segundo Levy, o governo está se aparelhando para focar melhor seus gastos, de forma a obter resultados rápidos mesmo com recursos limitados. A prioridade, explicou, será completar projetos que faltam para integrar a infra-estrutura já existente. Só depois disso, serão iniciados projetos novos.
Além disso, ele ressaltou que é possível obter ganhos de produtividade com melhor gerenciamento. ''Em muitos casos, a questão é mais de organização institucional do que de recursos'', comentou Levy. Ele citou como exemplo os portos. Na sua opinião, uma melhor articulação entre docas, operadores e órgãos dos governos pode aumentar a produtividade ''de maneira significativa.'' Dessa forma, será possível assegurar recursos para outros investimentos.
Outro exemplo citado é o de Minas Gerais. A conclusão do trecho que falta da duplicação da rodovia Fernão Dias, mais a construção de uma estrada de acesso ao aeroporto internacional de Confins (na região metropolitana de Belo Horizonte) ''podem dar um outro impulso'' à economia local. ''Um esforço desse transcende questões políticas, e certamente tem um efeito muito positivo na economia. Se for feito com foco, pode ser conseguido dentro do quadro fiscal que já existe.''


