Governo espera acomodação de importações durante o ano
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quinta-feira, 17 de julho de 1997
Agência Estado Rio de Janeiro 
Arquivo FolhaDescompassoPratini de Moraes: Nos últimos 12 meses, as exportações brasileiras cresceram 3% e as importações, 20%O secretário de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo (MICT), Maurício Cortes Costa, afirmou ontem que o governo tem expectativas de uma acomodação maior das importações este ano, em relação ao ano passado. O governo inviabilizou as importações de cunho essencialmente especulativo, de empresas que formavam estoques com a intenção de obter ganhos no comércio, afirmou.
Cortes Costa considerou previsível o déficit na balança comercial brasileira durante este período de transição, mas evitou antecipar projeções sobre o crescimento do déficit, que já alcança US$ 4,7 bilhões. Ninguém iludiu ninguém sobre este momento de transição, comentou o secretário, durante almoço em homenagem ao diplomata Marcus Azambuja, que assume em setembro a Embaixada do Brasil em Paris.
O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), Marcos Pratini de Moraes, disse que as medidas de restrição à importação especulativa atingiram apenas as pequenas e médias empresas. As grandes companhias têm mecanismos para manter as operações, via créditos bancários ou mesmo por Montevidéu, disse ele. Segundo dados da AEB, nos últimos 12 meses as exportações brasileiras registraram crescimento de apenas 3%, enquanto as importações dispararam, com elevação de 20%.
O secretário Cortes Costa argumenta que, a partir da entrada em operação da empresa de seguro de crédito à exportação, criada em 1º de julho e que tem como principal acionista o Banco do Brasil, o País terá um potencial de crescimento de US$ 500 milhões por ano em seu comércio externo. Vamos abrir mercados dos quais o Brasil estava abrindo mão nos últimos anos, disse ele, referindo-se aos países da Europa Oriental, Oriente Médio e África. Segundo Cortes Costa, a expectativa é de que nos próximos anos 12% das exportações nacionais sejam cobertos pelo seguro.
O embaixador Marcos Azambuja, que de 1992 até este ano atuou na Argentina, com a principal função de estimular as relações de comércio do Mercosul, disse que tentará obter uma taxa de crescimento das exportações brasileiras para a França pelo menos 10% superior à atual. Nos últimos seis anos, as exportações Brasil-França ficaram estagnadas: em 1990, foram de US$ 902 milhões e, em 96, de US$ 912 milhões. Paralelamente a isto, as importações francesas para o Brasil triplicaram no mesmo período, passando de US$ 500 milhões para US$ 1,5 bilhão. Vamos fazer o Brasil ser levado a sério na França e tentar conseguir lá o mesmo que obtivemos no Mercosul, disse o embaixador, citando a taxa de crescimento do comércio entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai: 20% no primeiro semestre do ano.


