O governo quer adiar a discussão sobre a correção da tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) para 2002, pois teme sair derrotado no embate. ''Manteremos o clima de impasse e não deixaremos o projeto ir a voto porque queremos evitar novas incertezas sobre o Orçamento de 2002'', revelou um articulador governista.
''Vamos enrolar'', confessou um assessor da área econômica. Essa manobra é possível porque o projeto de lei que corrige a tabela em 35,29% será discutido em plenário por causa de um recurso apresentado pelos deputados governistas. O presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), tem condições de protelar o debate.
Oficialmente, porém, o discurso é o da busca de um acordo. O líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), defendeu ontem a proposta apresentada há três semanas pela Receita Federal e recusada pelos deputados. A ameaça de derrota do governo ganhou corpo na terça-feira, com o alinhamento do PFL ao PMDB e às oposições na defesa da correção em 20%.
Nas contas do líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE), o grupo tem 330 votos, o suficiente para aprovar o plano. Esse número de deputados é o bastante também para apresentar um requerimento de análise em regime de urgência, o que obrigaria Neves a trazer o texto em votação. Por isso, a estratégia de ''empurrar com a barriga'' não é inteiramente segura para o Executivo. Além disso, mesmo o adiamento para 2002 trará poucos benefícios ao governo. A correção da tabela, tanto em 35,29% quanto em 20%, poderá legalmente entrar em vigor assim que for aprovada, admite o secretário da Receita, Everardo Maciel.

mockup