Governo eleva previsão de superávit anual para US$ 7 bi
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quinta-feira, 22 de agosto de 2002
Agência Estado 
Brasília O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Sergio Amaral, anunciou ontem que o superávit da balança comercial será de US$ 7 bilhões este ano. ''Ou mais'', afirmou, confiante. É a segunda vez em menos de dois meses que o governo refaz as contas sobre o desempenho do comércio exterior no último ano do governo Fernando Henrique Cardoso.
Os resultados da balança em julho e agosto, que vieram acima do projetado, fizeram com que o governo revisse sua projeção, que era inicialmente de um superávit de US$ 5 bilhões, passando depois para US$ 6 bilhões. Agora, mais otimista, o governo projeta um saldo de US$ 7 bilhões. Segundo o ministro, a previsão é de que as exportações em 2002 totalizem US$ 56 bilhões, e as importações, US$ 49 bilhões.
O governo conta com a perspectiva de um saldo comercial ''robusto'' este ano para ajudar a mudar as expectativas ruins que os investidores desenharam sobre a economia brasileira. Uma nova revisão do balanço de pagamentos deste ano, com base nas recentes informações sobre o comércio exterior, será divulgada pelo Banco Central.
Até a terceira semana de agosto, a balança já acumulava um superávit de US$ 831 milhões no mês. No ano, o saldo acumulado é de US$ 4,634 bilhões. Apesar de elevado, o superávit tem sido mantido muito mais pela queda das importações do que por um fôlego maior das exportações. Até julho, as exportações, pelo contrário, caíram 7,7% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto as importações registraram uma queda de 18,9%.
Amaral anunciou também que o saldo da balança comercial no próximo ano deve ficar entre US$ 8 bilhões e US$ 9 bilhões. No entanto, segundo o ministro, ao contrário da nova estimativa de superávit anunciada para este ano, a previsão para 2003 não é baseada em um estudo mais criterioso. Segundo Amaral, essa previsão para 2003 se deve à perspectiva de melhora na economia argentina, que é um dos principais mercados brasileiros, e a um alívio na retração da economia mundial.
O ministro ainda informou que as vendas externas em 2002 devem sofrer uma queda de 4% neste ano em relação a 2001 e as importações devem cair 12% também em relação ao ano passado. ''A queda das exportações reflete a situação econômica até o momento'', afirmou o ministro, lembrando que em termos de volume as exportações estão menores apenas entre 1% e 2% em relação a 2001, mas que a queda nos preços dos produtos, em razão da retração da economia, é de 6%. Se não houvesse o reflexo da retração da economia mundial e da crise argentina, disse o ministro, as exportações deveriam apresentar um crescimento em relação ao ano passado.


