Governo eleva IOF para conter queda do dólar
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quinta-feira, 01 de março de 2012
Andréa Bertoldi <br> <br> Equipe da Folha 
Curitiba - O governo decidiu aumentar de dois para até três anos o prazo de incidência da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 6% nas liquidações de operações de câmbio contratadas a partir de 1º de março deste ano. Na prática, isso significa que empresas que fizerem empréstimo no exterior vão pagar mais imposto.
O principal objetivo é impedir a valorização excessiva do real frente ao dólar. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, chegou inclusive a comentar que o governo federal continuará tomando novas ações para impedir a valorização excessiva do real frente ao dólar, mas não deu maiores detalhes.
Ele ainda enfatizou que o foco é conter a entrada de investidores que preferem atuar na especulação de curto prazo. ''Aqueles que trabalham assim têm que ser penalizados e pagarão alguma coisa'', disse. ''O governo não ficará assistindo impassível a guerra cambial, temos que nos defender'', afimou. Segundo ele, o governo continuará tomando medidas para impedir que o real se valorize, prejudicando a produção brasileira'', concluiu.
Para o economista e presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Gilmar Mendes Lourenço, esta medida não vai ter efeito prático significativo. ''Se depender disso, o dólar vai continuar caindo e o real valorizando. A medida é inócua'', disse.
Ele explicou que mesmo com o IOF maior, as empresas vão continuar trazendo dinheiro de fora em forma de empréstimos, porque, ainda assim, continua vantajoso.
Lourenço lembrou que o governo assumiu informalmente que o piso do dólar é R$ 1,70 e que, abaixo disso, exige medidas para conter uma queda ainda maior. Segundo ele, o aumento do IOF tem como objetivo criar expectativas favoráveis em relação ao comportamento do dólar.
Para ele, a saída não seria elevar o IOF, mas intensificar a queda da taxa básica de juros da economia, a Selic. Hoje, os investidores internacionais buscam o Brasil como alternativa de país rentável, por pagar um dos maiores juros do mundo. ''A principal arma do Banco Central (contra a entrada de dólares no País) é a taxa de juros. Enquanto isso, o Brasil vai continuar sendo inundado por dólares'', alertou.
Segundo Lourenço, o maior prejuízo com o dólar baixo é para os exportadores e para as empresas nacionais que sofrem com a concorrência com os importados, especialmente, os setores têxtil e de componentes eletrônicos.
O economista da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Maurílio Schmitt, acredita que o governo teria outros instrumentos para reduzir a entrada de dólares no País como criar medidas mais austeras para diminuir os gastos públicos. Ele prevê que o aumento do IOF consiga reter apenas parcialmente a valorização do real e a redução do dólar.
Para ele, outro caminho seria reduzir os juros. Schmitt disse que os setores exportadores mais prejudicados no Paraná são madeira, móveis, têxtil e vestuário. Por outro lado, o dólar em queda beneficia as empresas que possuem passivo nesta moeda e as indústrias que importam componentes para a produção.
A medida, no entanto, não chegou a afetar o mercado cambial. O dólar fechou ontem com queda de 0,47%, negociado a R$ 1,712. No ano, o dólar já acumula uma queda de 7,97%. Mantega negou que o governo estude taxar investimentos no setor produtivo e aplicações na Bolsa. (Com agências)



