Brasília - A presidente Dilma Rousseff aprovou ontem o aumento da mistura do biodiesel ao diesel. A mudança vai permitir que a participação do biodiesel passe de 5% para 6%, a partir de 1º de julho, e para 7% a partir de 1º de novembro. A medida foi encaminhada para apreciação do Congresso, na forma de medida provisória.
Acompanhada pelos ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil), Edson Lobão (Minas e Energia) e do vice-presidente Michel Temer, ela disse que não se chegou à produção de biodiesel de soja, mas que o programa, hoje com dez anos, é maduro. "Houve um processo muito difícil, porque tivemos tentativas que não eram as mais adequadas para a produção de biodiesel. Nós tentamos a mamona, tentamos a palma, tentamos o pinhão manso", contou. "Hoje, cada ponto percentual a mais na mistura corresponde a 600 milhões de litros a menos na importação de óleo diesel", disse a presidente.
O ministro Edison Lobão (Minas e Energia) disse que a medida está perfeitamente alinhada ao objetivo do governo de diversificação da matriz energética, "com uso de uma matriz renovável e limpa". Segundo ele, o País deixará de importar o equivalente a 1,2 bilhão de litros de diesel por ano e permite a redução de 23 milhões de toneladas de gás carbônico até 2020. Além disso, o aumento da mistura também fará com que seja usada a pleno a capacidade instalada das 57 unidades no País que hoje processam biodiesel. "A Vale do Rio Doce chegou a movimentar seus trens com 20% de biodiesel na mistura e tudo funcionou muito bem", completou o ministro.

PETROBRAS
A mudança é esperada por produtores de biodiesel e pela Petrobras após mais de três anos de negociações com o governo. Com o aumento para 7%, a Petrobras reduz as importações de diesel fóssil e deve economizar cerca de R$ 2,3 bilhões, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). A estimativa considera o volume de diesel importado no ano passado e a taxa de câmbio média em 2013 (entre R$ 2,30 e R$ 2,35). Se for incluído na conta um possível aumento de consumo neste ano e o dólar mais recente (em torno de R$ 2,40), o impacto poderia ser ainda melhor para o caixa da Petrobras. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, o Brasil importou o equivalente a US$ 8,3 bilhões em óleo diesel no ano passado, um aumento de 24% em relação a 2012.

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