Governo elabora Plano Nacional de Silvicultura e Agroflorestais
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terça-feira, 26 de outubro de 2004
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Representantes do Governo Federal apresentaram, ontem, em Curitiba, as diretrizes do Plano Nacional de Silvicultura de Espécies Nativas e Agroflorestais, que definirá as políticas públicas voltadas para o desenvolvimento dos sistemas agroflorestais. O plano, com investimentos já assegurados de US$ 10 milhões, definirá ações e metas para a área nos próximos dez anos.
De acordo com o representante do Ministério do Meio Ambiente, Tasso Rezende de Azevedo, o Brasil possui grande quantidade de áreas de produção funcionando em sistema agroflorestais (integração de lavouras). ''A variedade de produção também é grande. Tem sistemas onde há produção de florestas e cultivo de milho, por exemplo, e outros, como o cultivo de cacau onde a produção é praticamente só floresta'', afirma. Essa diversidade, que é boa para a segurança alimentar, segundo ele, resulta em um cadeia produtiva mais complexa, o que sempre dificultou a elaboração de uma política nacional para todos.
As diretrizes para o plano nacional foram apresentadas durante o Vº Congresso Brasileiro de Sistemas Agroflorestais, promovido pela Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Florestas), em parceria com a Sociedade Brasileira de Sistemas Agroflorestais, e que tem como tema este ano ''SAFs (Sistemas Agroflorestais): desenvolvimento com proteção ambiental''. Até fevereiro de 2005, um grupo de pesquisadores do setor deve apresentar uma proposta para o plano nacional, a pedido do governo.
Segundo Azevedo, o plano vai elaborar uma agenda de pesquisas, meios de fomento e de incentivo, e, a integração da cadeia produtiva, o que, para ele, ''é o maior desafio''. O plano tem investimento de U$ 10 milhões assegurados, dentro de um empréstimo de US$ 100 milhões do Banco Mundial ao Ministério da Agricultura. ''O grande problema é a falta de desenvolvimento tecnológico e de linhas de crédito para o setor'', disse. Hoje o Governo Federal tem quatro linhas de crédito para o setor, sendo que duas delas, o Programa de Agricultura Familiar na Floresta (Pronaf-Floresta) e o Programa de Incentivo à Silvicultura e Agroflorestal (Propflora) liberaram R$ 100 milhões para a safra 2004/2005.
Segundo Azevedo, uma das ações do Governo Federal para o setor visa aumentar a base plantada com recuperação de áreas degradadas. Para isso estão previstos: plantio de 200 mil hectares por ano em pequenas e médias propriedades rurais, totalizando 800 mil hectares até 2007: plantio de 300 mil hectares por ano, chegando a 1,2 milhão de hectares em 2007, em programas empresariais comprovadamente sustentáveis; recuperação de 200 mil hectares de florestas até 2007.
O governo também busca expandir as áreas florestais remanejadas. A meta até 2007 é agregar 15 milhões de hectares de florestas naturais em regime de produção florestal sustentável consorcidada, e assegurar que um terço da produção florestal sustentável seja proveniente de florestas sociais (produção familiar, comunitária, extrativista etc).


