Em fevereiro, o Governo Central, os Estados e os municípios gastaram R$ 3,248 bilhões a menos do que arrecadaram no mês. Isso significa que as três esferas de governo, que compõem o setor público, tiveram um superávit primário em suas contas naquele mês. O resultado corresponde a 3,43% do Produto Interno Bruto (PIB) do período. Acima da meta constante do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) que é de 3% este ano.
No conceito nominal (que inclui a conta de juros), porém, o desempenho das contas públicas não foi bom em fevereiro. Por causa da desvalorização cambial ocorrida no mês, que foi de 3,66%, o déficit chegou a R$ 6,290 bilhões ante os R$ 3,627 bilhões em janeiro.
No bimestre, as três esferas de governo acumularam o superávit primário R$ 8,875 bilhões graças ao resultado de janeiro que havia ficado em R$ 5,627 bilhões. O Banco Central explicou que o superávit caiu em fevereiro por causa do menor números de dias úteis (18) em relação a janeiro.
No conceito nominal, o resultado dos dois meses ficou deficitário em R$ 9,917 bilhões. Neste período, a conta de juros atingiu R$ 18,792 bilhões ante os R$ 13,8 bilhões acumulados em janeiro e fevereiro de 2000. Nos dois primeiros meses deste ano, a desvalorização cambial foi de 4,48% e o impacto no resultado do bimestre foi de R$ 5,252 bilhões. Em janeiro e fevereiro do ano passado, o dólar havia valorizado frente ao real em 0,08% e 0,49%, respectivamente.
De acordo com o chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes, este mês a desvalorização cambial acumulada até ontem era de 3,7%. Em março de 2000, a moeda americana subiu 1,5% em comparação ao real.
Como havia ocorrido em dezembro último, a maior contribuição para o resultado primário foi dada pelos Estados que fecharam o mês de fevereiro com um superávit de R$ 1,686 bilhão. Em seguida, ficou o Governo Federal com o saldo positivo de R$ 1,672 bilhão. Contrabalançando este resultado com os déficits de R$ 522 milhões do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) e de R$ 74 milhões do Banco Central, o Governo Central encerrou o mês com as contas positivas em R$ 1,562 bilhão.

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