O governo deixará de gastar, em fevereiro, R$ 241 milhões com a queda da Taxa Referencial de Juros (TR), provocada pela mudança na metodologia de cálculo do redutor. O impacto de uma TR menor se dará com maior intensidade no Fundo de Compensação das Variações Salariais (FCVS), cujo déficit somava, segundo o Banco Central, R$ 60,5 bilhões em setembro do ano passado. Como toda a dívida do FCVS é indexada à TR, a queda da taxa representa, em um mês, uma economia de R$ 179,9 milhões.
A mesma coisa ocorrerá com a dívida mobiliária federal (Tesouro e o Banco Central), que alcançava, em dezembro passado, R$ 254,5 bilhões. Apenas 8,1% dessa dívida, ou seja, R$ 20,61 bilhões é indexada à TR. A queda na taxa representa uma diminuição dos gastos da ordem de R$ 61,29 milhões.
A dívida do governo cresce menos com a nova TR na mesma proporção da perda de rendimentos dos depositantes em caderneta de poupança. Se a TR tivesse sido calculada com o redutor antigo, ela resultaria em 0,7435% para o dia 1º ao invés dos 0,4461% fixados pelo Banco Central. A dívida do FCVS, corrigida pela TR de 0,7435%, resultaria num acréscimo de R$ 449,8 milhões. Como será corrigida pela TR de 0,4461%, o acréscimo será de R$ 269,9 milhões, uma diferença de R$ 179,9 milhões.
A mesma coisa ocorrerá com a parte da dívida mobiliária do governo em poder de mercado, ou seja, com os R$ 20,61 bilhões em títulos que são indexados pela TR. Pela TR fixada pelo BC com base no novo redutor, essa parcela da dívida cresce R$ 91,94 milhões quando poderia chegar a R$ 153,23 milhões, se o cálculo fosse feito com base na antiga metodologia do redutor.
Saques Com a queda da TR, base da remuneração da caderneta, a expectativa do Banco Central é de saques acentuados na caderneta de poupança. Os técnicos do BC argumentam que o grande poupador migrará para outros ativos, como por exemplo, o CDB (Certificado de Depósito Bancário). Já o pequeno poupador, sem muita opção de obter rendimentos vantajosos em outros ativos, deverá tirar o dinheiro para gastar ou pagar dívida. Pelo último censo da poupança divulgado pelo BC, que tem como data-base o mês de junho de 1997, é forte a concentração de recursos na poupança por parte dos grandes investidores.
Os grandes investidores da poupança, que possuem saldo superior a R$ 25 mil em suas contas, são apenas 0,57% do total de poupadores, mas juntos detêm 32,33% do saldo das cadernetas de poupança, o que em junho do ano passado representava R$ 26,5 bilhões. Os pequenos poupadores, ou seja, aqueles que possuem saldo de até R$ 100,00 na poupança são mais de 40 milhões de pessoas, ou seja, 51,97% da quantidade de depositantes. Todos juntos, entretanto, ficam com apenas 1,04% do saldo, ou seja, R$ 851,8 milhões.
Além do governo, ganham com a TR menor os mutuários do Sistema Financeiro da Habitação, que terão suas dívidas corrigidas por um índice menor. O BC estima que também haverá reflexo na inadimplência. Em média, ela estava em 14,5% em novembro do ano passado, contra 7,5% em fevereiro de 1995.

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