Governo e sindicalistas adiam negociações sobre mínimo e IR
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sexta-feira, 08 de dezembro de 2006
Folhapress 
Brasília - O governo mobilizou cinco ministros para receber as reivindicações das centrais sindicais para o reajuste do salário mínimo e a correção da tabela do Imposto de Renda, mas preferiu adiar as negociações para a próxima quinta-feira.
Tenta-se ganhar tempo porque, especialmente no caso do mínimo, o Palácio do Planalto entra fragilizado na queda-de-braço com os sindicalistas: a equipe econômica chegou a prever um salário de R$ 375 a partir de maio, que agora tenta reduzir para R$ 367 enquanto as centrais falam em R$ 420.
Nas discussões sobre o IR, o ministro Guido Mantega (Fazenda) chegou a descartar, em novembro, a hipótese de mudar a tabela - para, apenas duas semanas depois, negociar com o Congresso uma correção de 3%, que agora se tornou piso na negociação. As centrais querem 7,7%.
Na reunião de ontem, Mantega, Paulo Bernardo (Planejamento), Luiz Marinho (Trabalho), Nelson Machado (Previdência) e Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência) receberam formalmente as propostas dos sindicalistas, mas, segundo os relatos gerais, não fizeram contrapropostas. ''O governo só ficou chorando'', ironizou o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, em referência aos números apresentados sobre o déficit da Previdência Social.
Dificilmente o governo conseguirá aprovar um mínimo menor que R$ 375, uma consequência da decisão de superestimar o crescimento econômico neste ano eleitoral. Segundo o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias, o reajuste do mínimo em 2007 deve ser igual à variação da inflação mais o aumento da renda per capita. Quando o projeto de Orçamento foi elaborado, a área econômica manteve a projeção de crescimento de 4,5%, contra todas as previsões. Após as eleições, e com a necessidade de conter o aumento de gastos, a previsão foi reduzida para 3,7%, o que resultou na nova proposta de R$ 367.


