Agência Folha
De Brasília
As negociações entre o governo e os parlamen tares ligados ao setor agrícola voltaram a chegar ontem a um impasse, e o presidente Fernando Henrique Cardoso admitiu receber líderes dos produtores rurais para discutir suas reivindicações.
A exemplo do que ocorreu na quinta-feira da semana passada, a bancada ruralista voltou a rejeitar uma contraproposta do governo para as dívidas do setor, em negociação com o ministro Pratini de Moraes (Agricultura). Na reunião, tentou-se mais uma vez encontrar uma alternativa para o projeto, aprovado na última quarta-feira, que permite abatimentos entre 40% e 60% nas dívidas rurais - que serão renegociadas com prazo de 20 anos e juros de 3% ao ano.
A proposta apresentada ontem por Pratini prevê o perdão da dívida para os pequenos produtores rurais que tiveram perdas de safra por conta de problemas de seca. Para os pequenos e médios produtores - com dívidas de até R$ 200 mil,
renegociadas em 1995 -, o governo ofereceu a prorrogação das parcelas que vencem em outubro de 1999 e em outubro do ano 2000 para o final do contrato.
O governo também prometeu o desconto de 20% nas parcelas anuais de até R$ 10 mil. Para parcelas superiores a esse valor, o desconto seria de 15%. Para os grandes produtores, com dívidas acima de R$ 200 mil, o governo decidiu aliviar duas condições de pagamento previstas no Pesa (Programa Especial de Saneamento Agrícola, instituído no ano passado).
A primeira foi a extensão do prazo de adesão, que terminou em fracasso no último dia 2 de agosto e poderia ser prorrogado até 31 de dezembro. A outra condição foi a redução de 15% nas taxas de juros do programa, que passariam de 8% para 6,8%, de 9% para 7,65% e de 10% para 8,5%.
A bancada ruralista não aceitou e anunciou que vai tentar votar hoje no plenário da Câmara o pedido de urgência para o projeto aprovado na semana passada. A votação coincidirá com a chegada a Brasília do ‘‘caminhonaço’’ promovido pelos produtores rurais.
Até ontem, segundo a assessoria da Comissão de Agricultura, havia 212 assinaturas de apoio ao pedido de urgência. São necessárias 257. No início da noite, quando acabava a reunião no Ministério da Agricultura, o porta-voz da Presidência, Georges LamaziSre, disse que FHC pode vir a receber os líderes do ‘‘caminhonaço’’, se isso for importante para que se chegue a uma ‘‘solução positiva’’.
Para deputados da bancada ruralista, a proposta do Ministério da Agricultura não atende às necessidades do setor. ‘‘A proposta é tímida. Ou não conhecem o setor ou não têm boa vontade para resolver o problema de endividamento’’, disse o deputado Ronaldo Caiado (PFL-GO) depois do encontro com Pratini.Bancada no Congresso rejeita proposta do governo que contemplaria produtores rurais e ameaça votar hoje projeto de anistia da dívida
Weimer Carvalho/O Popular/Agência EstadoPROTESTO SOBRE RODASProdutores trafegam na BR-153, em Goiás: dos 2 mil caminhões esperados em Brasília, 600 já tinham chegado ontem até o fim da tarde

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