A inflação de julho medida pelo Índice do Custo de Vida (ICV) do Dieese ficou em 2,13%, a maior taxa dos últimos quatro anos, desde julho de 1996 (2,34%). Os preços públicos e a alimentação foram os itens que mais pressionaram o índice.
No levantamento do Dieese, a energia elétrica apresentou alta de 14,69%; o telefone subiu 8,19% e o gás de botijão, 7,29%. Os combustíveis tiveram um aumento médio de 10,66%. Só estes itens foram responsáveis por mais da metade da variação do ICV (1,33 ponto porcentual).
Os alimentos, refletindo os efeitos da geada e da entressafra, registraram uma elevação de 2,14%, contribuindo com mais 0,55 ponto. ‘‘Quem está causando mais inflação é o governo’’, avaliou Cornélia Porto, responsável pela pesquisa.
Ela explicou que as elevações do alimentos são sazonais, ou seja, os preços devem baixar após a regularização da oferta, o que não acontece com as tarifas públicas e os preços administrados pelo governo, como a gasolina eo álcool. ‘‘A diferença é que os alimentos aumentam, mas depois recuam, e os preços públicos sobem e ficam’’, afirmou.
As maiores altas apuradas pelo Dieese para os alimentos ficaram por conta dos hortifrutigranjeiros e dos semi-elaborados. Lideraram os reajustes as hortaliças, o leite e o frango. Cornélia observou que o aumento do pão francês e do leite, entre outros itens de consumo diário, colaboram para a impressão da população de que a inflação está fora de controle.
Com o resultado do mês passado, o Dieese espera uma taxa de 7% a 8% para todo o ano. A previsão anterior era de 4% a 5%. De janeiro a julho, o ICV acumula uma variação de 4,18%. No primeiro semestre, a inflação ficou em 2%. Cornélia acredita também que os índices devem ficar pressionados durante o segundo semestre em razão do aquecimento da economia, mas não devem atingir o pico de julho.
As encomendas de Natal, que normalmente geram mais emprego, associadas ao pagamento do 13º, podem estimular o consumo, principalmente a partir de outubro. Até lá, no entanto, a tendência é de retração, principalmente de alimentos, em razão do aumento da luz, telefone, gás e combustíveis, gastos que não tem como ser cortados. Na avaliação de Cornélia, no momento de reduzir gastos, as famílias acabam deixando de comprar alguns produtos alimentares.
As variações por grupo do ICV foram: Transportes, 4,21%; Habitação, 2,99%; Alimentação, 2,14%; Saúde, 1,26%; Educação e Leitura, 0,10%, Equipamento Doméstico, 0,17%; Rouparia, -0,89%.

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