Governo é perdulário
''Eu tenho um sonho de que um dia a inflação seja equilibrada não precisa ser muito baixa, talvez em torno de 4% ao ano , e uma taxa Selic de 6%, o que daria uma taxa real de 10%. Mas até lá vai demorar muito, pois agora estamos em mais de 19%'', arrisca o economista Renato Pianowski.
Fazendo uma previsão de como estaria o mercado com essa realidade, o economista acredita que as pessoas estariam captando dinheiro com juros bem menores. ''Os clientes dos bancos, por exemplo, encontrariam um cheque especial - mantendo a proporcionalidade - em torno de 6%, e o cartão de crédito também. Ou seja, melhoraria para todo mundo'', sonha o profissional.
Segundo os economistas, isso não acontece porque o governo é perdulário, gasta mal e é o grande incentivador das taxas continuarem altas. Um dos principais motivos em manter as taxas nesse patamar seria continuar atraindo os investimentos externos para o País. ''O governo precisa ter alguns tipos de atrativos para que as pessoas invistam. No nosso caso é o juro básico. Investidores de fora compram títulos do governo, cujos rendimentos são baseados pela taxa Selic'', explica a economista Fernanda Esperidião.
Além disso, reforça ela, essa é uma forma do governo captar dinheiro. ''Ele precisa fazer dinheiro de alguma forma, então uma forma de fazer isso literalmente é quando coloca essa taxa mais elevada porque é um atrativo para o mundo inteiro'', aponta Fernanda. ''Um título federal nos Estados Unidos tem rendimento de 3% ao ano, aqui no Brasil é de 19%. Um investidor japonês, por exemplo, não vem aqui e compra um título, compra milhões deles que são jogados no mercado'', acrescenta. (E.Z.)





