Curitiba Nem o governo federal nem as indústrias querem fazer estoques de milho. O governo alega que não tem estrutura e a iniciativa privada alega que não tem dinheiro para carregar estoques. As indústrias estão comprando ''da mão para a boca'' e não investem em estoques. Com a queda da cotação do dólar, as exportações perdem seu atrativo. Diante dessa situação, o principal problema do milho que é a falta de liquidez representa uma ameaça para a expansão da cultura na próxima safra.
Para evitar o desestímulo ao plantio, o governo federal vai recorrer ao mecanismo de contratos de opção, pelo qual se compromete a comprar um volume de milho a preços pré-fixados. Para a comercialização da safrinha, o governo federal pretende comprar 1,5 milhão de toneladas para entrega em junho, informou Silvio Farnase, assessor da secretaria nacional de Política Agrícola, do Ministério da Agricultura.
Farnase esteve ontem em Curitiba, participando do 1º Seminário Estadual da Cadeia Produtiva do Milho, pomovido pela Secretaria de Estado da Agricultura em parceria com entidades que representam a agropecuária do Estado. O seminário discutiu a comercialização da safra 2002/2003 e propostas para evitar o desabastecimento interno do produto. ''Alguém tem que carregar os estoques e a iniciativa privada precisa contribuir'', disse.
A safrinha deve render entre 8 milhões e 10 milhões de toneladas de milho e o volume previsto para ser adquirido para os contratos de opção não representa um estoque de grandes proporções como existia no passado, admite Farnase. Apesar da intenção do governo, o mercado não está aderindo como se esperava.
Das 1,5 milhão de toneladas ofertadas, o mercado só comprou 300 mil toneladas até agora em três leilões já realizados. Nos dois primeiros, os contratos de opção foram vendidos a R$ 20,00 a saca de milho e, no terceiro, o governo subiu o preço a R$ 25,00 a saca para estimular a venda.
Um quarto leilão está previsto para depois da Páscoa, quando o governo pretende liquidar 500 mil toneladas. Adquirindo os contratos de opção, o produtor adquire o direito de vender a quantidade de milho estipulada em contrato para o governo, no preço fixado para entrega em junho. Farnase acredita que os leilões não tiveram muita procura porque o produtor acreditava na valorização do produto a partir do segundo semestre, quando começa o período de entressafra.

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