Governo Duhalde pode usar reservas para pagar dívida
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segunda-feira, 11 de novembro de 2002
Agência Estado 
Buenos Aires - O governo do presidente Eduardo Duhalde está analisando a possibilidade de realizar - de forma parcial - o pagamento da dívida que possui com o Banco Mundial (BIRD), que totaliza US$ 805 milhões e vence na próxima quinta-feira. A idéia seria pagar pelo menos US$ 80 milhões, relativos aos juros. Além disso, também poderia realizar o pagamento de US$ 200 milhões referentes ao vencimento de capital, mas com reservas internacionais do Banco Central.
A não realização deste pagamento implicaria no default com os organismos financeiros internacionais, uma linha que o governo Duhalde teme ultrapassar. Se o fizer, entrará em uma lista negra onde se encontram a Zâmbia, Camboja e Iugoslávia, entre outros países.
O pagamento parcial da dívida é parte da estratégia do governo Duhalde de emitir sinais de ''boa-vontade'' para o Fundo Monetário Internacional (FMI). Desde março, o governo está tentando, desesperadamente, conseguir um acordo que permita a reprogramação das dívidas que o país possui com os organismos financeiros internacionais, pelo menos até fins de 2003.
No entanto, a decisão de pagar parte da dívida com o Bird somente será tomada amanhã à noite. Até lá, a equipe econômica analisará se existe uma real chance de fechar o acordo em breve, e com isso, arriscar-se ao sacrifício de utilizar as reservas do Banco Central, restritas a US$ 9,9 bilhões, apenas um terço do que eram há um ano e meio.
Tarifas - Como forma de agradar o FMI, o ministro da Economia, Roberto Lavagna, confirmou que o governo Duhalde implementará um aumento das tarifas das empresas de serviços públicos privatizados. O impopular aumento, uma das exigências do fundo, poderia esbarrar na resistência do Congresso Nacional. Por este motivo, Lavagna anunciou que o ''tarifaço'' será realizado por decreto presidencial.
O aumento seria de 10%, um valor muito inferior aos 30% pedidos pelo FMI meses atrás. Além disso, é ainda menor que a alta de 15% que o organismo financeiro havia oferecido como contra-proposta há poucas semanas. As empresas privatizadas estão fazendo um poderoso lobby através de seus países de origem, do Grupo dos Sete, que, por sua vez, pressionam o FMI.


