Governo Duhalde espera missão do FMI para esta semana
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terça-feira, 07 de janeiro de 2003
Agência Estado 
Buenos Aires O governo do presidente Eduardo Duhalde espera com ansiedade a reunião que realizará amanhã com a diretoria do Fundo Monetário Internacional (FMI). A diretoria analisará o caso argentino, e decidiria o envio de uma missão à capital argentina, que estaria encarregada de elaborar os detalhes finais do acordo financeiro que o governo Duhalde espera desde março do ano passado.
Na semana passada, o governo estava otimista, acreditando na possibilidade de que o acordo seria assinado antes do dia 17 de janeiro, data em que vence uma dívida de US$ 977 milhões que a Argentina possui com o FMI. No entanto, as declarações da vice-diretora do FMI, Anne Krueger, de que não existe certeza alguma de que o acordo seria assinado antes do dia 17, esfriaram as expectativas do governo Duhalde.
Krueger, chamada ironicamente pelos humoristas argentinos como ''a irmã mais malvada'' de Freddy Krueger (personagem do filme de terror ''A Hora do Pesadelo''), disse que sequer poderia começar a fazer conjeturas sobre a data do fechamento de um acordo.
No ministério da Economia, em Buenos Aires, a equipe do ministro Roberto Lavagna já está se preparando para o eventual baque que causaria a missão que viria nesta semana. Os representantes do Fundo, liderados por John Dodsworth, vice-chefe do Departamento Ocidental do FMI, poderiam apresentar novos obstáculos para o acordo.
Entre os potenciais ''poréns'' estão os recursos na Justiça contra o ''corralón'' (confisco de depósitos em prazo fixo). Os recursos estão causando uma drenagem de fundos do sistema financeiro em média de 1 bilhão de pesos por mês. O FMI também pretende obter maiores definições da política que o governo terá em relação ao dólar.
Além disso, o FMI também está incomodado com as idas e vindas caóticas da política argentina. Só na última semana, o presidente Duhalde mudou de opinião várias vezes sobre a realização da convenção de seu partido, o Justicialista (Peronista). Ele ainda criou uma nuvem de incertezas sobre o formato das eleições, quando primeiro defendeu o sistema de sublegendas, para depois, criticá-lo. Ontem, o presidente da França, Jacques Chirac, pediu ao diretor do FMI, Horst Köhler, que assine um acordo com a Argentina. ''Quanto mais demora, pior será'', disse.
Inflação O Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) anunciou que a inflação de dezembro passado teve uma alta de 0,2%. Desta forma, a inflação acumulada do ano 2002 foi de 41%. Em 2002, os preços dos produtos da cesta básica subiram 74,9%. A inflação de 2002 foi a maior em doze anos.


