Diante do ágio de quase 1.000% no leilão da concessão do Metrô do Rio, o governo fluminense decidiu rever o critério de avaliação de preço mínimo para a Companhia de Navegação do Rio de Janeiro (Conerj) e para a Flumitrens, próximas empresas de transporte e a ser privatizadas. O secretário de Fazenda do Estado, Marco Aurélio Alencar, resistiu a falar sobre possibilidade de subavaliação, mas acabou admitindo que preço estabelecido teve base baixa. ‘‘Tínhamos de fazer uma avaliação conservadora porque não podíamos correr nenhum risco de insucesso nesta operação’’, reconheceu.
Alegando que o próprio mercado fez ‘‘todas as correções de avaliação necessárias’’, Marco Aurélio debitou na conta do Metrô a responsabilidade pela má situação financeira da administração estadual e até pela insolvência do Banerj. O banco foi privatizado em meados do ano, sem registro de ágio e com pagamento integral em títulos públicos.
‘‘O Estado do Rio, sem a privatização do Metrô, não teria a menor condição de suportar o ano de 1998’’, afirmou o secretário. ‘‘Se procurarmos saber por que o Banerj quebrou ou o motivo do grau de endividamento do Estado, encontraremos no Metrô a melhor explicação.’’
Com patrimônio líquido de R$ 2,9 milhões, o Metrô do Rio acumula um passivo total de R$ 4,2 milhões (cálculo de 1996). E, a despeito do interesse de todos os consórcios participantes do leilão, Marco Aurélio assegura que a empresa continuaria deficitária se permanecesse sob a gestão do Estado, mesmo que a capacidade de transporte fosse duplicada. ‘‘O Metrô já foi deficitário com 100, 200, 300 passageiros, e nada garante que com 900 passageiros/dia ele deixasse de ser’’, disse o secretário, que atribuiu o déficit à ‘‘falta de eficiência, capacidade e competência’’ do Estado.

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